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TV digital
Cristina Kirchner vem ao Brasil discutir adoção do padrão nacional
terça-feira, 02 de setembro de 2008 , 16h31 | POR MARIANA MAZZA

Na próxima semana, uma comitiva argentina virá ao Brasil para, entre outros assuntos, estreitar o diálogo sobre a adoção do padrão brasileiro de televisão digital naquele país. O grupo será liderado pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, convidada pelo governo brasileiro para participar das comemorações do Dia da Pátria (7 de setembro). O cerimonial do Palácio do Planalto confirmou a vinda da chefe de estado no domingo, 7. Na segunda, 8, Cristina e seus ministros têm agenda marcada com diversos órgãos do governo brasileiro e um dos temas é a TV digital.
Convencer a Argentina a aderir ao padrão adotado no Brasil, o ISDB-T, e atualizado por pesquisadores locais faz parte da estratégia do governo de transformar o sistema nipo-brasileiro em um padrão na América Latina. Além da Argentina, o governo tem conversado com Chile, Peru, Venezuela, Paraguai e Bolívia. Alguns flertam com outros países na escolha do padrão de televisão digital, como é o caso do Chile, que já teria feito uma escolha prévia do padrão norte-americano, o ATSC, mas voltou atrás no final do ano passado e retomou as análises dos sistemas.
A batalha para expandir o padrão nipo-brasileiro para além das fronteiras nacionais já sofreu duas derrotas. Em agosto de 2007, o Uruguai optou pelo padrão europeu, o DVB. A Colômbia também anunciou há alguns dias a adoção do sistema europeu. Para o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, a escolha colombiana não impede que o governo brasileiro continue negociando com o país outras questões relevantes para o mercado futuro a ser criado com a digitalização, como interoperabilidade dos sistemas e o estabelecimento de um acordo que permita a compra e venda de produções feitas pelos dois países.
Teria pesado na escolha da Colômbia outros critérios para além da qualidade técnica do sistema DVB, já que aquele país possui boas relações com a Telefónica de Espanha, defensora do padrão europeu. Barbosa não vê nenhum problema nisso, uma vez que o próprio Brasil considerou contrapartidas com o Japão na negociação que culminou na adoção do ISDB.

O mais evoluído

O governo brasileiro está muito seguro do produto que está tentando "vender" aos países vizinhos. Com os avanços feitos por pesquisadores brasileiros, os porta-vozes da negociação não se intimidam de colocar o padrão nipo-brasileiro como o mais avançado dentre os sistemas disponíveis hoje no mercado. "Na foto que existe hoje, somos o (país) que tem os equipamentos mais evoluídos. E eu espero que isso possa ser passado para outros países", avalia Barbosa, que trata do assunto dentro da Casa Civil.
Além de oferecer um sistema mais atualizado do que os demais disponíveis, o governo brasileiro assegura que não cobrará royalties de quem adotar o padrão e que estimulará a pesquisa conjunta dos países, transferindo a tecnologia para os futuros parceiros. Há um viés político também nas negociações, na medida em que o Brasil defende a constituição de um player global com a adoção do padrão pela América Latina, o que garantiria força e escala para que os países do grupo pudessem competir com os demais sistemas em funcionamento do mundo.

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