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Com virtualização, foco será nos serviços e não na rede, diz Accenture
sexta-feira, 02 de dezembro de 2016 , 19h46

Uma das tendências em infraestrutura de telecomunicações é a virtualização das redes das operadoras. Boa parte do que hoje roda em hardwares pesados, instalados dentro das teles, passará a funcionar na nuvem, sendo totalmente controlada por software. Na opinião de George Nazi, diretor executivo da Accenture para a área de CM&T (Comunicações, Mídia e Tecnologia), até 70% das redes atuais poderiam ser virtualizadas. Uma das consequências disso é que os atuais centros de operação de redes, ou NOCs, na sigla em inglês, se transformarão em centros de operação de serviços (SOCs), nos quais os engenheiros poderão acompanhar não apenas todos os pontos de uma rede, mas também o funcionamento do data center onde os dados estão armazenados e a performance dos serviços junto ao usuário final.

Com o SOC, as operadoras passam a ter acesso a muito mais informações sobre o desempenho de suas redes e dos seus serviços, o que pode ser analisado com ferramentas de inteligência artificial para identificar previamente o risco de problemas, permitindo que sejam realizadas ações preventivas, em vez de reativas como acontece hoje nos NOCs geralmente.

Com mais de 20 anos de experiência no setor de telecom, tendo passado pela operadora inglesa BT e pela fornecedora Alcatel-Lucent, Nazi é especialista em virtualização de redes. Ele alerta que a virtualização precisa vir acompanhada de uma transformação dos processos e também das pessoas dentro de uma operadora, senão está fadada ao fracasso. Uma das novidades é que engenheiros de operações e engenheiros de softwares passam a trabalhar juntos.

Benefícios e riscos da virtualização

Geralmente há três diferentes motivadores para a virtualização das redes: redução de custos; aumento de receita com o lançamento de novos produtos; e melhoria na experiência do cliente. Para Nazi, os três estão interligados. Se uma operadora melhora a experiência do usuário, ela acaba reduzindo custos com call center e, por sua vez, sobra mais recursos para lançar novos produtos e aumentar a receita.

Mas há também riscos relacionados à virtualização. Pelo fato de ser algo ainda pouco maduro internacionalmente, não há ainda um caminho único e comprovadamente certo a seguir. A integração com sistemas legados é um desafio, junto com o treinamento de pessoal. E é preciso tomar muito cuidado com a segurança, a partir do momento em que as redes passam a ser controladas por software.

Segundo Nazi, operadoras norte-americanas e asiáticas estão liderando o processo de virtualização. Na América Latina ainda é algo muito novo. Mas o executivo elogia os acordos de compartilhamento de infraestrutura de acesso firmados no Brasil, especialmente no 4G, como aqueles entre TIM e Oi e entre Vivo e Claro, porque servem como um primeiro passo na direção da virtualização.

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