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Tom Wheeler: decisões contra neutralidade da FCC podem prejudicar o futuro da Internet
sexta-feira, 03 de março de 2017 , 18h15

Durante a Mobile World Congress nesta semana, o atual chairman da Federal Communications Commission (FCC), Ajit Pai, reforçou o discurso contra a administração anterior, argumentando ter havido redução nos investimentos em banda larga e que é necessário dar maior flexibilidade à indústria – leia-se, quebrar a neutralidade de rede, acabar com investigações de zero-rating e encerrar a proposta de regras de privacidade para ISPs. Do outro lado do mesmo evento, o ex-chairman da entidade, Tom Wheeler, símbolo das políticas progressistas no setor durante os últimos anos do mandato de Barack Obama, criticava a direção tomada pela administração Donald Trump para as políticas digitais. "Estou desapontado, acho que o tipo de futuro que tem se falado é ameaçador se as redes não forem abertas, se a privacidade não for protegida e se as redes não forem seguras", declarou ele em entrevista exclusiva a este noticiário. "Ver a FCC de Trump voltar nisso (nas medidas regulatórias da administração anterior) e começar a desfazer essas coisas imediatamente é um desafio para o futuro", afirma.

Wheeler explica que a neutralidade de rede, pelo menos nos próximos meses, não deverá estar ameaçada. Isso porque há um processo necessário para mudar a regra atual, com consulta pública e decisão na alta corte norte-americana. Além disso, argumenta que houve pouco tempo desde a implantação das regras da Open Internet para fundamentar juridicamente argumentos contra a decisão. "Acho que vai ser difícil para a FCC do Trump de voltar e, no final do dia, ser bem sucedida em dizer que 'ei, só faz dois anos, vamos jogar fora (a lei)' e fazer a defesa de que não se precisa da neutralidade", declara.

Da mesma forma, o ex-chairman se mostra contra processos de consolidação no mercado (posição defendida pela associação de operadoras móveis GSMA), exemplificando com a rejeição da fusão entre T-Mobile e Sprint. Ele justifica isso com os recentes anúncios de planos com dados ilimitados nos Estados Unidos – primeiro com a T-Mobile, e depois logo seguida por Verizon e AT&T. "Isso acontece porque a competição é uma ótima coisa, e se tiver três, isso diminui", reitera. Sobre uma eventual aprovação da fusão da AT&T com a Time Warner (que não deverá ser revisada pela FCC), no entanto, Wheeler não analisou a possibilidade, dizendo apenas que não sabe o que Trump pretende.

Pouco mais de um mês após ter deixado o cargo na agência regulatória, Tom Wheeler confessa ter se decepcionado também com o encerramento da investigação com o plano de zero-rating da AT&T, que oferece conteúdo gratuito da Directv. "Eu sou a favor de coisas de graça, mas eles falam também que, qualquer um que competir com eles, terá de pagar e usar os dados, e acho que isso é um dos exemplos em que um juiz deve levantar o cartão amarelo. Não sou contra zero-rating ou serviços gratuitos, mas, quando usa de forma abusiva, então algo tem de ser feito." Disse ainda que gostaria de ter conseguido seguir em frente com a proposta de abrir os set-top boxes, coisa que encontrou resistência do mercado de TV paga desde o início.

Futurismo

Wheeler, que participou de uma palestra sem destaque na programação oficial do evento e com um público nitidamente menor do que o do keynote de Ajit Pai no mesmo dia, explica que esse futuro será a nova revolução industrial, na qual a 5G e a Internet das Coisas (IoT) mudarão o paradigma da tecnologia: em vez de apenas absorver as informações, a rede também será inteligente. Com isso, a indústria poderia reverter a tendência de queda na produtividade – segundo o ex-chairman, desde a revolução das telecomunicações, houve um recuo em todo o mundo."Então, quando todo o mundo físico será todo conectado, vamos mudar para um mundo com sensores mandando inteligência, e ela precisa ser orquestrada", declara.

* O jornalista viajou a Barcelona a convite da FS.

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