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Falta plano de longo prazo para expansão da banda larga
quarta-feira, 03 de outubro de 2007 , 21h38 | POR ANA LUIZA MAHLMEISTER, DE FLORIANÓPOLIS

Até o final do ano o Brasil vai contar com 6,5 milhões de usuários de banda larga, segundo dados da Cisco, que acompanha o serviço no País. Isso representa apenas 3% da população com acesso ao computador. É consenso que é necessária a difusão da banda larga para que o País seja competitivo. Falta, no entanto, um projeto com metas de longo prazo que envolva o governo e a iniciativa privada. ?Sempre vai haver oferta para as classes A e B. O problema é como levar essa tecnologia para os segmentos de poder aquisitivo baixo e em cidades geograficamente distantes dos grandes centros?, diz Antonio Augusto Firmato, diretor da Alcatel Lucent, durante painel nesta quarta-feira, 3, na Futurecom. Hoje dos 5,5 mil municípios brasileiros, 3,2 mil não contam com banda larga.
A proposta do governo para atingir essas cidades, segundo o diretor do Departamento de Serviços de Universalização de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Átila Souto, é a revisão do PGMU (Programa Geral de Metas de Universalização) que vai permitir a troca dos postos de serviços de telecomunicações (com telefones públicos e fax) pela implantação de um backhaul nos 3,2 mil municípios. Segundo Souto, o modelo de negócio está sendo discutido na Anatel. ?O backhaul vai chegar a esses municípios trazendo banda larga. A distribuição desse duto na última milha para escolas, pequenos provedores de internet, cidades digitais, etc não é objeto de regulação do governo. O objetivo é garantir o passo anterior, isto é, a banda larga aos municípios não cobertos?, diz Souto.
A falta de clareza de objetivos do governo para a troca de PSTs por outra alternativa foi criticada pela platéia. Para Luiz Cuza, presidente da TelComp (entidade que reúne as prestadoras de serviços competitivos) faltam números e metas a esse projeto e uma visão do que o governo quer com essa política. ?Quanto vai aumentar de penetração de banda larga? Qual o objetivo do projeto? Quanto será atingido e em quanto tempo??, pergunta o executivo. Segundo Souto, as definições e a precificação do projeto estão sendo discutidos pela Anatel. "As operadoras que anteciparam as metas de universalização com PSTs já implantados terão abatimento do que já investiram", diz Souto.

Modelo viável

Outro obstáculo à penetração da banda larga são as velocidades ainda limitadas e o preço que chega a R$ 79 por 2 Mbps. A FastWeb na Itália oferece 20 Mbps por 19 euros e a Verizon, nos EUA, tem opção de 50 Mbps a US$ 40. Em Portugal, que tem 100% dos municípios cobertos com ADSL, o serviço de 8 Mbps custa 25 euros e a oferta da Portugal Telecom chega a velocidades de 24 Mbps. No Brasil, só recentemente a Net oferece 8 Mbps (com preço promocional de R$ 89 nos primeiros três meses) para seus clientes, acirrando a competição com as teles que oferecem no máximo 2 Mbps.

Sem projeto comum

Outro obstáculo à difusão da banda larga é a falta de parcerias que possam unir governo e iniciativa privada em um projeto comum para chegar à baixa renda. Na Índia a Hughes lançou um sistema de franquias de venda de serviços digitais com oferta de venda de passagens, cartões pré-pagos e governo eletrônico. O franqueado investe no espaço físico e PCs e recebe por transação finalizada. Os usuários têm disponível um local onde podem fazer compras virtuais e o franqueado recebe por transação finalizada. Já existem 2 mil lojas e a meta da Hughes é contar com 10 mil em três anos. Um serviço governamental de regulamentação de propriedades é bancado pelo governo indiano, explica Rafael Guimarães, diretor da Hughes. "Poderíamos pensar em um modelo similar no Brasil onde a transação de serviços onde o governo poderia remunerar franqueados que usassem seus serviços", diz o executivo. Outra idéia é um sistema de renúncia fiscal que poderia baratear os serviços e aumentar a arrecadação com o aumento da penetração, assim como foi feito com o PC.

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