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SGDC é lançado com sucesso; governo já fala em mais satélites e democratizar a Internet
quinta-feira, 04 de maio de 2017 , 20h58

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC) foi lançado com sucesso nesta quinta, dia 4 de maio, pelo foguete Ariane, da base de lançamentos de Kouru, na Guiana. O lançamento aconteceu às às 18:45, horário do Brasil, após um pequeno atraso por conta de um alarme em um dos sistemas, mas sem repercussões mais sérias. O satélite, cujo projeto inteiro custou até agora R$ 2,8 bilhões, passará agora por um processo de posicionamento de algumas horas e em alguns dias passará pela abertura dos paineis solares, o que marca outra etapa crítica da operação. A chegada até a órbita final, em 75 graus Oeste no cinturão geoestacionário, que fica a 36 mil km da Terra, é outro marco importante e deve acontecer em cerca de uma semana. Durante essas etapas e depois de posicionado, o satélite passa por uma série de testes do fabricante (Thales Alenia). A entrega para controle da Telebras e da Aeronáutica acontece apenas em junho, momento em que o satélite passa a ser considerado operacional, se não houver intercorrências.

Paralelamente, a Telebras deverá fazer a licitação para a venda da maior parte da capacidade do SGDC, que passará a ser operada pela iniciativa privada, ficando a Telebras com cerca de 20% da capacidade comercial (a capacidade da Defesa está preservada integralmente). Esta foi a forma que a Telebras encontrou para compensar o investimento no projeto, segundo a argumentação da empresa. Segundo apurou este noticiário, não há, até o momento, nenhum impeditivo nem da Justiça, nem do Tribunal de Contas da União para a realização do leilão da capacidade. Vale lembrar que o ex-ministro André Figueiredo, deputado federal pelo PDT/CE, foi ao Supremo contra o plano de negócios da estatal.

Temer: democratização digital

O presidente Michel Temer acompanhou o lançamento ao lado dos ministros Gilberto Kassab (MCTIC) e Raul Jungmann (Defesa) o lançamento a partir de Brasília, na sede do Comando da Aeronáutica (COMAR). O presidente disse que "o satélite revelará o grande avanço tecnológico do País". Ainda segundo Temer, "vamos democratizar o fenômeno digital já que a banda larga vai atingir todos os recantos do país, democratizando o sistema digital". O projeto do governo para uso do satélite, vale ressaltar, não inclui nenhuma política pública de acesso residencial. A maior parte do satélite deve ser usada pela iniciativa privada e não necessariamente será dedicada a uso residencial ou para atender regiões carentes de infraestrutura, o que depende de projetos da Telebras ainda não definidos.

O ministro Jungmann, por sua vez, lembrou que o satélite "vai permitir às comunicações militares e de defesa, na medida em que é o primeiro satélite operado estritamente por brasileiros, a nossa soberania e independência e, evidentemente, para os governos, as comunicações estratégicas estarão blindadas de qualquer tipo de (tentativa de) obter essas informações". Lembrando que a operação do satélite também terá feita coma Telebras em parceria com parceiros privados, ou seja, não será um processo inteiramente restrito a redes do governo. 

O ministro da Defesa lembrou ainda que o satélite representou uma transferência de tecnologia, por ser o "primeiro satélite operado por brasileiros". Lembrando que a Embratel, ainda estatal, foi um polo de desenvolvimento de tecnologia e conhecimento na área de satélites nos anos 1980 e 90, e que até hoje é uma empresa cuja operação, apesar de controlada pela mexicana América Móvil, está inteiramente baseada no Brasil, inclusive atendendo o uso da Defesa, e muitos dos profissionais da Telebras tiveram como escola a Embratel pré-privatização.

Jungmann disse ainda que ele "vai significar para a Telebras a comercialização e a transferência de tecnologia" e terá a possibilidade de "acabar com o Apartheid Digital".

Decisão de manter

Gilberto Kassab lembrou que houve uma decisão importante do presidente de manter o cronograma do satélite. "No momento em que o Brasil atravessa uma conjuntura muito difícil, (houve a decisão) de manter esse programa. Poderíamos ter prorrogado esse momento, que poderia acontecer em 2018, 2019 ou até 2021. E o presidente, no início da sua gestão, reuniu os ministérios da Defesa e Ciência e Tecnologia e, apesar da magnitude do investimento, esse era um investimento que não poderia ser prorrogado. Chegou o momento, e hoje o Brasil vive um momento especial. O Brasil ingressa definitivamente na era digital, democratizando o acesso à banda larga". Segundo Kassab, o Brasil terá, com o satélite, condições de fazer um acompanhamento mais próximo das fronteiras, para controle de tráfego de drogas e contrabando, de maneira coordenada com a Defesa. "Haverá também contrapartidas no campo social. Apenas com o Ministério da Educação, em um convênio já celebrado com a Telebras, já são 7 mil pontos mapeados de equipamentos públicos municipais e estaduais ou da União que serão em alguns meses dotados de banda larga. Qualquer escola do Amazonas e das regiões Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste terá em poucos meses acesso à banda larga". Kassab citou ainda um convênio assinado com o ministério da Saúde para uso do satélite em unidades de saúde pública, sem dar detalhe. Este noticiário apurou que a referência aos 7 mil pontos provavelmente está relacionada ao uso do SGDC no programa Gesac, e não ao convênio com o MEC, que efetivamente existe, mas é para um número maior de escolas.

Este noticiário apurou junto a especialistas do mercado de satélite que se a Telebras optar pelo uso dedicado da capacidade, haverá dificuldades de atender mais do que 5 mil escolas com conexões superiores a 2 Mbps, o que é considerado extremamente baixo pelo próprio governo. O MCTIC alega que a Telebras conseguirá atender às escolas combinando redes terrestres e utilizando capacidade compartilhada do satélite, mas ainda não se sabe os detalhes do projeto.

Após o lançamento, Kassab declarou a este noticiário que o satélite terá seus custos praticamente todos cobertos apenas com o uso para a Defesa (que deve investir cerca de R$ 500 milhões no projeto) e com os convênios com os ministérios da Educação e Saúde. "Só que que faremos para levar banda larga a tudo quanto e equipamento de saúde, seja municipal, estadual ou da União, mais a defesa e educação, (o satélite) já está pago. Fora o lado social que vamos atender". Segundo ele, os convênios estão sendo fechados pela Telebras e os recursos estão garantidos.

Expansão da frota

"Vale registrar que o presidente determinou a nós que passássemos a elaborar o plano de continuidade dos investimentos do país na ampliação da nossa frota de satélites. Esse é o primeiro. Agora estamos conquistando tecnologia. Dezenas de engenheiros e profissionais passaram meses e meses na França acompanhando a montagem do satélite para conquistar conhecimento e com isso, em algumas décadas, o Brasil ter soberania para a construção do seu satélite. Teremos (agora) soberania na operação do satélite, e em algumas décadas, graças a esta transferência de conhecimento, na sua produção. Em alguns meses iniciaremos a continuidade desse programa. Esse é o primeiro passo", disse Kassab. 

O projeto SGDC começou a sair do papel em 2009 e previa três satélites até 2021. O projeto recebe críticas sobretudo pelo custo, de R$ 2,8 bilhões, ou quase US$ 1 bilhão considerando o câmbio no período, o que é quase três vezes o que normalmente as empresas privadas gastam em satélites similares. O que o governo justifica os custos adicionais com a transferência de tecnologia e construção das estações terrestres, que foram todas colocadas na conta do projeto. A Telebras e a Embraer criaram a Visiona, empresa responsável pela integração e transferência de tecnologia do satélite. Se não houver continuidade ao projeto do SGDC, toda a estrutura e conhecimentos acumulados na empresa ficam em risco.

COMENTÁRIOS

4 Comentários

  1. Artur Mendes disse:

    Ok, pra baixo todo santo ajuda. Mas e o upload? Como o usuario, la no rincao do brasil, vai enviar o confirma, o "return" o "enter" prum satelite que esta a 36 mil kilometros? Sera q o Kassab esqueceu q internet eh uma via de mao dupla? Artur Mendes, Campinas

    • Alexandre Gonçalves disse:

      Oi Artur! Dá uma lida em 'TCP Spoofing', uma técnica utilizada por todos os fabricantes de equipamentos de SATCOMM e que melhora drasticamente exatamente isso que é a sua preocupação. A grande maioria das aplicações usadas hoje (e que dependem de baixa latência) funciona direito quando aplicado o spoofing. Em alguns casos é necessário um pequeno estudo e ajuste de parâmetros, mas no geral isso não é mais preocupação. No caso do SGDC, um ponto chave a ser monitorado será a disponibilidade dos enlaces perante o regime pluviométrico aqui no Brasil, pois a parte não-militar do payload é em banda Ka.

    • Luiz disse:

      Meu caro, TODOS os satélites geoestacionários estão a aprox. 36000 km de altura e isso nunca impediu a comunicação bidirecional. O usuário final estará conectado por uma rede terrestre a uma estação terrena de onde são transmitidas e recebidas as portadoras, como milhares de estações semelhantes que existem pelo mundo afora. Antes de criticar as pessoas, estude um pouco de comunicação via satélite.

  2. Gostaria de saber quando vou poder usar a internet desse satelite ja que moro no sitio e la nao tem nem sinal de telefone e muito menos de internet disse:

    Quais os aparelhos que terei que comprar para ter acesso a internet desse satelite

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