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CTIA Wireless 2006
TV digital aberta determina modelos de transmissão móvel
quinta-feira, 06 de abril de 2006 , 01h58 | POR REDAÇÃO

Como não poderia deixar de ser, a edição deste ano da CTIA Wireless, principal evento da indústria de telefonia celular dos EUA, que acontece esta semana em Las Vegas, tem como um dos principais temas a questão da televisão em aparelhos móveis. A Mobile TV, como tem sido chamada, é ainda uma promessa nos EUA e na maior parte dos países europeus, onde o que há são testes. Fica evidente, contudo, que o desenvolvimento deste mercado está intimamente ligado ao desenvolvimento da TV digital em cada um dos países.
No caso norte-americano, a TV digital terrestre está em pleno desenvolvimento com base na tecnologia ATSC. Mas a tecnologia não permite a mobilidade digital, e por isso os operadores estão partindo por caminhos alternativos. Nos EUA, quem dá as cartas são os operadores de telefonia móvel. Eles é que estão fomentando a mobilidade, e os radiodifusores entram como fornecedores de conteúdo.
Dick Lynch, CTO da Verizon, deixa claro que a estratégia da operadora é o MediaFLO, uma plataforma de transmissão de conteúdos paralela à rede celular. O MediaFLO tem como principal fomentador a Qualcomm, e a operação conjunta com a Verizon começa em outubro deste ano nos EUA, por meio de uma rede nas freqüências de 700 MHz.
Paul Jacobs, CEO da Qualcomm, revelou em entrevista realizada nesta quarta, 5, durante a CTIA, que o MediaFLO não deve ser uma solução a ser adotada apenas nos EUA, e que há negociações concretas em curso na Europa. A este noticiário, ele voltou a dizer que o Brasil está nos planos de expansão da plataforma, mas que o modelo brasileiro ainda não está claro e que depende das definições sobre o padrão de TV digital aberta. Até lá, ele só adianta que há negociações com a Vivo e conversas com o grupo Globo, "pois sem eles não é possível fazer muitos negócios no Brasil".
Na Europa, o modelo que as operadoras de telecomunicações parecem estar seguindo é mesmo o modelo proposto pelo consórcio DVB, de uso de uma rede paralela à rede móvel no padrão DVB-H. Segundo CTO da operadora inglesa O2, Dave Williams, o principal problema na Europa tem sido encontrar espaço para operações de TV móvel. O DVB-H tem aparecido como a solução para transmissões broadcast, enquanto as operadoras têm se focado nas próprias redes 3G para a entrega de conteúdos de nicho ou segmentado.
Para a O2, as possibilidades de mobile TV se restringem, basicamente, ao handset. Hoje, na visão da empresa, estratégias envolvendo outros tipos de aparelho de recepção são, no máximo, secundárias.

Situação similar

Mas a experiência que parece mais próxima da que se vive (ou se viverá) no Brasil é a experiência dos dois mais desenvolvidos mercados de telefonia móvel na Ásia: Japão e Coréia. Nos dois casos, os operadores de telefonia móvel enfrentam a competição de broadcasters que oferecem, gratuitamente, conteúdos para redes móveis. Mas isso não parece ser um problema para estas empresas, ainda que elas não gostem muito da idéia de ter que competir com as redes de TV nestas condições.
A este noticiário, dois operadores móveis deram depoimentos muito parecidos. A KDDI, por exemplo, enfrenta na cidade de Tóquio sete canais abertos sendo transmitido de forma gratuita para terminais móveis pelas suas redes ISDB-T, as mesmas usadas para a transmissão de TV digital fixa.
"Não há muito o que fazer. Elas oferecem esses conteúdos e nosso esforço tem sido oferecer algo que complemente o que as emissoras de TV dão de graça para o usuário de celular", diz Hideo Okinaka, vice-presidente de tecnologia da operadora móvel. "O que fazemos é tentar usar os conteúdos abertos para estimular o uso da nossa rede para interação".
Na Coréia do Sul, a situação é mais ou menos parecida. "As TVs abertas estão levando gratuitamente os seus sinais pela rede deles. É competição com os nossos serviços, mas o que podemos fazer para compensar é ter uma cobertura melhor e um conteúdo diferenciado, mais rico", diz Brian Kim, CTO da SK Telecom, operadora de telecomunicações na Coréia com expressiva participação no mercado móvel.

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