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Nii fecha acordo para transferir controle da Nextel para grupo norueguês AINMT por US$ 200 mi
terça-feira, 06 de junho de 2017 , 12h03

A controladora da Nextel Brasil, a Nii Holdings, anunciou nesta terça, 6, acordo com o grupo norueguês de telecomunicações AINMT Holdings para um aporte inicial na operadora brasileira, mas com opção posterior de transferência do controle. Inicialmente, a norueguesa investirá US$ 50 milhões para obter uma participação de 30% na Nextel. Em um segundo momento, em novembro deste ano, a empresa terá a opção de investir mais US$ 150 milhões para aumentar a participação para 60%, virando majoritária, totalizando a operação em US$ 200 milhões. A Nii continuaria com a participação restante na operadora brasileira.

Na primeira fase, a AINMT conduzirá uma emissão de ações de US$ 50 milhões para financiar o investimento, que será subscrita por acionistas existentes, incluindo o grupo industrial de telecom e mídia norte-americano Access Industries. A Nii contribuirá para a Nextel com todo o caixa distribuível – menos os US$ 50 milhões para operações da sede do grupo e recursos da liberação de uma conta de garantia referente à venda da Nextel México, embora estes devam ser liberados depois. O encerramento desta primeira etapa está sujeito à aprovação de acionistas do grupo norueguês e de autoridades governamentais e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no Brasil. Além disso, a AINMT precisará ter "aceitação razoável" dos anexos atualizados dos documentos de operação.

A opção de avanço para o controle da Nextel Brasil com 60% de participação poderá ser exercida até 15 de novembro deste ano com o investimento dos US$ 150 milhões adicionais e está condicionada ao recebimento de "certas concessões" dos credores da Nextel Brasil. Caso a AINMT opte pelo avanço, a Nii recomendará aos próprios acionistas pelo voto a favor da operação. A conclusão desta etapa deverá ser até 31 de janeiro de 2018, com a operação em si concluída durante o primeiro trimestre do ano que vem. A segunda fase está sujeita ainda a um aditamento das dívidas da operadora brasileira e à liberação e substituição de determinadas garantias existentes, além das condições e aprovações usuais de fechamento.

Em comunicado, as empresas afirmam que a transação fortalecerá a Nextel Brasil com maior liquidez, permitindo que os consumidores tenham "mais alternativas, um serviço de melhor qualidade e a adoção das melhores práticas europeias em desenvolvimento atualmente pela AINMT na Escandinávia" – o grupo atua na Noruega, Suécia e Dinamarca nessa região, além de ter operações na Indonésia e Filipinas. "Nós acreditamos que ter acesso à sua abordagem diferenciada e estratégica focada em dados permitirá à Nextel Brasil expandir significativamente tanto o seu crescimento como a sua rentabilidade", disse o CEO da Nii, Steve Schindler. A holding norte-americana foi assessorada por Jones Day e Mattos Filho, enquanto o assessor financeiro exclusivo foi o Rothschild.

"A posição com espectro em múltiplas frequências e os 2,9 milhões de clientes 3G/LTE que a Nextel já tem no Brasil oferecem uma fundação sólida de ativos sobre o qual podemos construir, expandindo o alcance da rede LTE e aumentando a base de clientes de modo rentável", disse o CEO da AINMT, JD Fouchard, no comunicado. Com a fusão, o grupo passará a contar com uma base global de 200 milhões de acessos no mundo.

Passando por dificuldades financeiras desde que a controladora entrou em recuperação judicial em 2014, a Nextel estava a procura de um investidor. A empresa chegou a ser comandada pelo ex-presidente da Oi, Fernando Valim, que teria como missão também equilibrar operacionalmente a empresa e encontrar um interessado. Sem ter obtido sucesso em uma operação de management buy out (MBO), em que os próprios executivos da empresa assumem o controle, Valim deixou a empresa no começo deste ano, embora a rescisão do contrato previsse bônus de até US$ 14 milhões para o executivo caso a operadora fosse de fato vendida. Ele foi substituído por Roberto Rittes.

No comunicado, a tele afirma que "passou por inúmeras iniciativas transformadoras nos últimos 18 meses para reverter e estabilizar as operações da Nextel Brasil por meio de melhorias na estrutura de custos e de uma redução significativa do churn". Diz ainda que, com isso, entregou cinco trimestres consecutivos de resultado operacional (OIBDA, excluindo despesas, amortizações e custos do plano de reestruturação) positivo. A companhia espera ainda "várias vantagens para melhorar a sua posição competitiva", como redes com foco em dados, espectro de 1,8 GHz em São Paulo e Rio de Janeiro para LTE e a eventual injeção de capital de US$ 200 milhões. A rede iDEN, contudo, está sendo desativada na maior parte do país, permanecendo em operação apenas em São Paulo e Rio.

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