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Serviços móveis
Preço mínimo das faixas em 3G desagrada operadoras
terça-feira, 06 de novembro de 2007 , 19h23 | POR IVONE SANTANA

As operadoras móveis ensaiam uma disputa com a Anatel e os governos estaduais e federal para tentar obter melhores condições para comercializar os serviços de terceira geração. O preço mínimo para todas as subfaixas totaliza R$ 2,85 bilhões. Um gasto de R$ 635 milhões por operadora, para as quatro maiores delas, segundo o vice-presidente executivo de finanças da Vivo, Ernesto Daniel Gardelliano. Os valores para faixas de freqüência foram considerados elevados e não atenderam às expectativas dos investidores, que esperavam uma condição mais vantajosa para compensar a universalização da cobertura do serviço. Como isto não aconteceu, ainda resta a revisão do edital, uma possibilidade muito remota, e a desoneração dos impostos estaduais e federal, que é algo tão ou mais difícil ainda. Por fim, se nada der certo, um boicote ao leilão marcaria de vez a posição dos investidores. As empresas deixariam de participar do leilão? O presidente da Vivo, Roberto Lima, até acenou com a hipótese. Mas logo se arrependeu e remendou dizendo não acreditar nisso. A Vivo precisa da licença nacional e participará do leilão. O mesmo devem fazer as demais operadoras móveis, garantiu ele.

Mais reclamações

Outros executivos do setor confirmam que de fato houve reclamações sobre o preço mínimo. Mas não foi feito um pedido formal à Acel ? a entidade que representa as teles móveis ? para que negociasse outras condições ou regras junto à agência reguladora ou ao governo. O edital foi lançado e todos estão fazendo as contas para decidir a viabilidade de apresentar proposta. ?É provável que a decisão das empresas seja no sentido de participarem só para não ficarem fora do jogo. Certamente a Anatel trabalha com esta hipótese também?, disse um executivo que prefere ficar no anonimato, para explicar porque a agência manteve o preço elevado.
A redução dos impostos para um serviço que ainda não foi lançado seria mais fácil de se aplicar, opina o presidente da Vivo. Mas a diminuição da carga tributária de uma forma geral vem sendo debatida há anos, sem avanços.
?Sem mudanças, o serviço fica mais caro. Impostos e preço mínimo elevados não estão ao alcance das operadoras?, afirma um dirigente. Para o presidente da Vivo, outra conseqüência é o atraso na implantação da rede de 3G. Ele explica que se as freqüências são caras, isto vai onerar demais os investimentos, e o serviço, conseqüentemente, tem que ser vendido mais caro. Argumentou que é difícil encontrar um equilíbrio econômico, pois o serviço é caro por ser mais sofisticado, bem como o aparelho. ?Não quero que o Brasil faça como a Europa, onde a 3G ficou parada três anos.? Como não havia volume de escala, o preço não caía.
O presidente da Vivo também acenou que a Anatel poderia liberar o uso da faixa de 1,9 GHz para outros serviços, se houver novo atraso no leilão de 3G. Entretanto, isso não é tão simples.

Faixa de 850 MHz

No final de outubro, a Anatel finalmente aprovou o uso de 3G em qualquer faixa destinada ao SMP. Sobre a possibilidade da Claro lançar serviços de 3G em 850 MHz, antecipando uma vantagem, Lima mostrou que pode ser competitivo: ?A Claro também terá que pedir autorização para cada ERB (estação radiobase) em 850 MHz. E a Telemig também tem a rede 850 pronta e tem que lançar 3G.? Em sua rede EV-DO, considerada de terceira geração, a Vivo já conta com mais de 1 milhão de aparelhos no Brasil e 250 mil placas em outros dispositivos, como notebooks. As vendas têm-se acelerado. No final de 2006 eram comercializadas 800 placas/mês ante 20 mil/mês atualmente, informou o vice-presidente executivo de finanças da Vivo, Ernesto Daniel Gardelliano.

Mercado mineiro

Em relação à compra da Telemig Celular pela Vivo, aprovada pela Anatel há duas semanas, Roberto de Lima disse que ainda não tem efetivo controle da empresa porque falta fazer a conclusão financeira da operação. E isto depende de negociação com os controladores da empresa mineira. Afirmou que a Amazônia Celular também interessa à Vivo, mas o caso é diferente da Telemig e por isto ainda depende de análise da Anatel.
Quanto à entrada da Oi em São Paulo, o executivo procurou não demonstrar preocupação e ainda provocou: ?A Oi vai começar do zero. Mas nós também vamos entrar em Minas, que é um mercado importante para a Oi.?

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