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Valente evita polêmica, mas acha que TV paga pode crescer mais
quarta-feira, 07 de fevereiro de 2007 , 19h40 | POR CARLOS EDUARDO ZANATTA

Antônio Carlos Valente, novo presidente da Telefônica no Brasil, manteve o estilo discreto de contato com a imprensa que caracterizou a gestão de Fernando Xavier, presidente anterior da empresa. Em sua primeira entrevista coletiva, não aceitou repercutir as opiniões de Francisco Valim, presidente da Net Serviços, acerca da entrada da Telefônica no mercado de televisão por assinatura, nem especular a respeito do atraso da Anatel em conceder à Telefônica a licença para operar um DTH. E, menos ainda, comparar a Anatel do tempo em que era conselheiro – ?era um tempo heróico em que tudo estava por fazer? – e o momento atual, em que a agência carece da indicação de conselheiros há bastante tempo. Também não quis opinar sobre a proposta de mudança na situação das agências reguladoras apresentada pelo governo ao Congresso Nacional e emperrada desde 2004.

Sem confusão

Ao comentar a nova safra de governos de esquerda na América Latina (onde a Telefônica só não atua em quatro países) e as ameaças de estatização, Valente deixou claro que sua forma de opinar faz parte do ?estilo Telefônica? de participar politicamente nos países onde opera explicando que a empresa respeita e é respeitada por todos os governos dos países onde está presente como uma forma de contribuir para o desenvolvimento das telecomunicações de acordo com as propostas acordadas. Até em relação à ausência de uma proposta mais agressiva para o setor de telecomunicações no Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, Valente foi moderado: ?Acredito que o governo do presidente Lula considera que telecomunicações não é um problema que precisa de atenção especial, ou seja, que vai bem, considerando as dificuldades de outros setores de infra-estrutura?, justificou.
A todo momento durante a primeira entrevista coletiva que deu a jornalistas de Brasília, onde participará do evento "Política de Telecomunicações", promovido pela Revista TELETIME nesta quinta-feira, 8, Valente se referiu aos dois anos mais fascinantes de sua vida profissional, o período em que presidiu a Telefônica do Peru. Em suas intervenções sobre a realidade peruana e suas diferenças em relação ao Brasil, também não deixou de bater na tecla do internacionalismo especialmente latino-americano que já defendia quanto era conselheiro da Anatel e especialmente quanto coordenou o Regulatel, entidade que associa os órgãos reguladores da América.

Voltar a pensar na Anacom

Sobre convergência, o presidente da Telefônica considera que ?a oferta de serviços convergentes que agora são possíveis é uma exigência dos usuários que desejam esta combinação e facilidade?. Sobre mudanças no marco regulatório, lembrou que as três fontes principais da regulamentação dos serviços que devem convergir (Código Brasileiro de Telecomunicações, Lei do Cabo e Lei Geral de Telecomunicações) são muito antigas. ?A radiodifusão é de 64; a Lei do Cabo foi feita no ambiente estatizado que não existe mais, e a LGT, a mais nova, já vai fazer dez anos. É preciso uma revisão completa desta legislação que deve ser integrada". Neste sentido, Valente, que foi assessor especial do ministro Sérgio Motta, lembrou que ?na época da privatização das teles discutiu-se muito a possibilidade de criar-se de uma vez uma Anacom (uma agência para comunicações) em lugar de ficar limitado a uma agência de telecomunicações, que acabou sendo criada: ?Não seria o momento de voltar a esta discussão para atender à convergência??

TV por assinatura

O presidente da Telefônica ressaltou que o interesse da empresa é ampliar a penetração da televisão por assinatura no Brasil. ?Ao contrário da telefonia fixa, que foi universalizada, e da telefonia móvel, que atingiu o espantoso número de 100 milhões de acessos, difundindo-se por todas as classes de renda, a TV por assinatura manteve-se em torno de 4 milhões de usuários restringindo-se aos segmentos A e B. Conheço muito bem a experiência da Telefônica com televisão por assinatura que começou no Peru com a Cable Image, a maior operadora do país. A experiência com o DTH começou no Chile e em oito meses atingiu 120 mil assinantes?, afirmou. Para Valente a presença das empresas de telefonia na televisão por assinatura será muito positiva porque elas têm muita experiência em universalizar serviços e em vendê-los à população de renda mais baixa.

Investimentos

Há um mês o grupo Telefônica anunciou ao presidente Lula que pretende investir no País em quatro anos (2007 a 2010) cerca de R$ 15 bilhões. Valente explicou que deste valor R$ 8,5 bilhões serão destinados aos serviços fixos divididos em 20% para sistemas de banda larga, 15% em novos negócios (aqui entra o DTH) e 65% nos serviços tradicionais.

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