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Operação Satiagraha
Empresas da cadeia de controle da BrT foram alvo de busca e apreensão
quinta-feira, 07 de agosto de 2008 , 19h14 | POR SAMUEL POSSEBON

Ao ser questionado se as investigações da Operação Satiagraha poderiam atrapalhar a criação da BrOi, um senador governista com forte trânsito junto ao Executivo e simpático à idéia de criar a super-tele respondeu: "já atrapalhou". Ao fazer esta afirmação, o senador, que prefere ficar anônimo "porque o assunto é delicado", talvez já soubesse: no dia 8 de julho, dia em que a operação sobre o Opportunity foi deflagrada, um dos alvos foram justamente as empresas que estavam ou estão no controle da Brasil Telecom: Techold Participações, Solpart Participações e Zain Participações. E ainda a Argolis Participações, empresa da cadeia societária da Telemar. Todas elas ficavam no endereço Rua Lauro Muller, 116, salas 2201 e 4102, Rio de Janeiro/RJ. Trata-se da sede carioca da Angra Partners, gestora dos recursos dos fundos de pensão nestas empresas e que emprestava seu endereço para as companhias. Ou seja, a Operação Satiagraha não só bateu na porta da BrOi, como entrou e apreendeu alguns documentos e arquivos eletrônicos, cujo conteúdo é sigiloso e agora faz parte da investigação.
Segundo fonte próxima às companhias, não há nada preocupante na operação de busca e apreensão. Atribui-se ao fato de o Opportunity ter gerido estas companhias até 2005, e de fato no despacho do juiz Fausto de Sanctis, que autorizou a operação, este endereço é identificado como "Grupo Opportunity e outras empresas deste, como, por exemplo, Argolis Participações S/A, Zain Participações Ltda, Solpart Participações S/A e Techold Participações S/A". Ainda segundo a mesma fonte, foram apreendidos documentos apenas destas companhias, e não de outras que tenham alguma relação com o Angra. Foi contratado o advogado criminalista Ary Berger para acompanhar o caso, mas nem o Angra nem as empresas pretendem tomar nenhuma atitude, como pedir acesso às investigações. A orientação, aliás, é manter o máximo de distância do Opportunity. Um dirigente de um dos fundos de pensão (acionista das companhias) também mostrou tranqüilidade ao falar do episódio, mas evitou comentar ao telefone eventuais impactos que a Satiagraha poderia ter para a venda do controle da Brasil Telecom.

Suspeitas

A avaliação atual das fontes ouvidas por este noticiário é de que a operação de busca e apreensão na sede carioca do Angra Partners só se deu porque as companhias estiveram até 2005 sob o comando do Opportunity.
Entretanto, as razões podem ser um pouco mais amplas. Como já antecipado por este noticiário, há inúmeras interceptações telefônicas, todas autorizadas pela Justiça, que flagraram as negociações para a reestruturação das empresas que estavam na cadeia de controle da Brasil Telecom, Telemar e Telemig Celular em que o Opportunity participava: Solpart, Argolis, Techold, Invitel, Zain, Telpart, Highlake, Newtel, Futuretel, Mem… Era uma cadeia societária que, por si só, já fez com que a Polícia Federal suspeitasse de fraude fiscal e gestão fraudulenta.
Além disso, a partir do começo deste ano, quando as manobras para viabilizar a BrOi viraram realidade, muitas destas empresas foram consolidadas, reorganizadas, a fim de evitar excessos de tributação e facilitar os acordos judiciais na hora da venda. Nos diálogos e emails que integrantes do Opportunity tiveram entre si ou com advogados e executivos destas empresas, a Polícia Federal identificou operações supostamente fraudulentas, indícios de evasão de divisas, fraude fiscal, vazamento e uso de informação privilegiada etc. Note-se que o ápice de todas estas reestruturações societárias foi em 25 de abril, quando os acordos todos foram fechados e anunciados. Dois meses antes da Operação Satiagraha ser deflagrada.

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