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CES 2015
Netflix: não se trata de colocar mais resolução, mas pixels melhores
quinta-feira, 08 de janeiro de 2015 , 05h46 | POR BRUNO DO AMARAL, DE LAS VEGAS

Um dos destaques de praticamente todas as demonstrações de TVs em ultra definição 4K durante a Consumer Electronics Show (CES 2015) foi a participação do provedor de serviços over-the-top (OTT) Netflix. Em especial na conferência da Sony, dia 6, foi demonstrada a aplicação da tecnologia de alto alcance dinâmico (HDR, na sigla em inglês) nos vídeos por streaming da empresa, algo que começa a ser implantado com a nova série original da OTT, "Marco Polo". O chefe de produtos da companhia, Neil Hunt, explica que o HDR é o próximo passo para tornar a imagem mais realista, já que a resolução Ultra HD está próxima do que o olho humano consegue identificar (algo que a Apple chama comercialmente de Retina Display, embora com outras proporções). "Passamos a década colocando mais pixels na tela, até agora com o 4K", disse ele em conversa com jornalistas em um hotel em Las Vegas nesta quarta, 7. "O mais realista agora é colocar pixels melhores."

A tecnologia, ele garante, deixa pixels com contraste maior – o branco fica mais intenso, enquanto o preto é mais escuro. Isso permite mostrar detalhes na cena que normalmente estariam comprimidos e escondidos, como reflexos e detalhes de nuvens no céu. O HDR traz também maior luminosidade (nits) na tela, garante o executivo.

Para os provedores de Internet (ISPs), no entanto, a notícia é ruim: o recurso demanda mais capacidade da banda larga. "O HDR requer 20% mais banda, chegando a 18 Mbps, mais do que os 15 Mbps (demandados) do 4K", explica Hunt. A Netflix utiliza a técnica de bitrate adaptável à qualidade da conexão, o que deixa a experiência do vídeo mais fluida, sem travamento. No entanto, o HDR não seria tão notado em resolução Full HD, segundo explica o executivo.

Só com novas TVs

A tecnologia, porém, volta a ser restritiva: apenas as TVs mais recentes da Sony e de outras fabricantes poderão rodar vídeos com o novo recurso. O chefe de produtos da Netflix garante que isso não vai afugentar os consumidores que ainda nem se adaptaram aos (ainda poucos) vídeos 4K do serviço, explicando que isso ainda é o começo da tecnologia de ultra definição, e que é normal uma curva mais lenta de adoção.

Já os set-top boxes e aparelhos de streaming como Apple TV e Chromecast vão depender de modificações no hardware para exibir o recurso. Neil Hunt diz que os novos Roku, que transmitem vídeo em 4K, seriam prováveis candidatos a terem a nova função. Já consoles como o PlayStation 4 precisariam de atualização para poder enviar sinais em ultra resolução por meio de cabos HDMI, o que a Sony prometeu, mas ainda não implantou. Mas isso não faria tanta diferença, ele garante. "Tenha em mente que uma TV high-end dessas (como da Sony) custa milhares de dólares, e qualquer um que coloque uma TV dessas tem já o app direto na TV, não tem necessidade de um PS4."

De qualquer forma, o HDR deverá chegar em breve também para tablets. Conforme explicou ele, há dificuldade de se implantar porque os aparelhos contam com outros níveis de brilho, que costumam ser inferiores aos das TVs mais modernas. "Se bem que tenho visto alguns tablets protótipos aqui na CES com níveis muito bonitos em HDR, então sim, nossa expectativa é ter o Netflix em HDR em tablets. Não devem ter em 4K, claro, mas em Full HD", disse ele, sem revelar quais tablets e de que fabricantes eram.

Netflix recomenda

Mais simples é a estratégia da OTT em fazer parcerias com fabricantes de televisores para implantar recursos que sejam otimizados para o serviço. A empresa está lançando um selo para aparelhos chamado "Netflix Recommended TV" (TV recomendada pela Netflix), que são produtos que cabem nos critérios de uso do streaming, como botão dedicado no controle remoto e sistema operacional e processadores potentes o suficiente para a troca rápida de funções.

De acordo com Hunt, esse selo começará a aparecer no mercado a partir de abril, com roll-out para outros países, incluindo a América Latina, nos meses seguintes. "Nossa meta é publicar o critério e as TVs recomendadas e então, no decorrer do ano, vamos entender como treinar e vender essa TV recomendada", declara.

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