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Banda larga
Governo conta com expansão da Internet móvel, mas operadoras não se sentem obrigadas
segunda-feira, 08 de fevereiro de 2010 , 21h13 | POR SAMUEL POSSEBON

Setores do governo que analisam o mercado de banda larga estão preocupados com a possibilidade de que a expansão do mercado de banda larga móvel talvez não seja tão intensa como se projeta nos próximos anos, pelos menos no que se refere aos pequenos e médios centros urbanos do Brasil. Até aqui, nos planejamentos para o Plano Nacional de Banda Larga, era certo que, a partir de abril deste ano, as operadoras móveis começariam a cumprir o compromisso de expansão das redes 3G assumidos quando venceram os editais para a ocupação do espectro de terceira geração. Na visão do governo, estava claro que 3G era sinônimo de serviços de transmissão de dados e que a venda de Internet móvel seria fomentada pelas empresas. Tanto é que, na mensagem presidencial encaminhada na semana passada ao Congresso, o governo enfatizou o crescimento que a banda larga móvel deve ter nos próximos anos.
Mas recentemente, operadoras de telefonia celular sinalizaram que o que farão é instalar redes de acesso 3G, mas não necessariamente para serviço de dados. Algumas planejam atender parte das cidades que estão entre os compromissos de cobertura apenas com o serviço de voz. E, para surpresa do governo, a Anatel ratifica que este entendimento das operadoras é correto. Este noticiário confirmou com executivos de operadoras de celular que em alguns casos, a tecnologia 3G estará disponível, mas o serviço de dados não será estimulado, a não ser quando houver demanda do mercado. A Anatel também já esclareceu o Minicom, oficialmente, que isso pode acontecer e estaria dentro das regras do leilão de terceira geração, ainda que a agência acredite que as empresas terão interesse de ocupar o mercado com serviço de conectividade banda larga, e não apenas de voz.
As celulares deverão completar a cobertura de 100% dos municípios com redes 2G em abril deste ano e depois precisam cumprir a segunda parte das metas, referentes às redes 3G. Segundo dados do Atlas Brasileiro de Telecomunicações 2010, publicado pela TELETIME, a expansão das redes 3G foi expressiva em 2009, passando de 355 cidades em outubro de 2008 para 739 cidades em outubro de 2009, um crescimento de 108%. Com isso, as redes 3G já estão hoje atendendo a cidades que somam 75,8% do potencial de consumo do Brasil, 108,7 milhões de habitantes e 32 milhões de domicílios. O dado ruim para as teles móveis é que destes municípios atendidos por redes 3G hoje, apenas 20 cidades não têm redes de banda larga fixa disponíveis.
Metas de 3G
A partir de agora, as atenções se voltam para as metas de cobertura da rede 3G além destes mercados mais nobres, que precisarão ser cumpridas até 2016, conforme o edital. As metas são as seguintes:
1) 60% dos municípios com menos de 30 mil habitantes deverão estar atendidos com redes 3G até abril de 2016, e as obrigações de atendimento começam a partir de 2013;
2) 50% dos municípios que tenham entre 30 mil e 100 mil habitantes precisam ser atendidos com redes 3G até 2013; e
3) 100% dos municípios com mais de 100 mil habitantes precisam ser atendidos com redes 3G.
A meta mais complexa, evidentemente, é a que exige a cobertura das cidades com menos de 30 mil habitantes. Existem hoje 4.497 municípios nessa categoria no Brasil, das quais apenas 190 têm, hoje, redes 3G, segundo dados do Atlas Brasileiro de Telecomunicações. Essa cobertura precisará chegar a nada menos do que 674 municípios em 2013 e 2.698 municípios até 2016. Será um esforço imenso com pouca atratividade econômica, já que nos 60% de municípios pequenos mais ricos estão apenas 14% do potencial de consumo nacional. Para ofertar serviços de dados, as operadoras precisariam investir nas redes de transmissão e também no backhaul, considerado o ponto crítico para a oferta de serviço de transmissão de dados.
Já a meta de atendimento das cidades entre 30 mil e 100 mil habitantes está praticamente completada. São 784 municípios nessa categoria no Brasil, dos quais 392 municípios precisam ser atendidos pela meta de 3G. Acontece que já há 288 cidades entre 30 mil e 100 mil habitantes que já são atendidas pelas operadoras. Ainda assim, atingindo essa meta, as operadoras somam mais 12,6% de IPC ao mercado potencial atingido por elas com redes 3G. Por fim, da meta de cobertura dos municípios com mais de 100 mil habitantes, das 275 cidades que estão nessa condição no Brasil, 261 já têm redes 3G.

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