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TV digital
Reuniões abrem crise entre entidades e Hélio Costa
quinta-feira, 08 de setembro de 2005 , 17h21 | POR CARLOS EDUARDO ZANATTA E SAMUEL POSSEBON

Estão deterioradas as relações entre o Ministério das Comunicações e algumas entidades representadas no Comitê Consultivo da TV digital. Tudo porque o ministro Hélio Costa passou a promover reuniões com radiodifusores de forma paralela, o que tem criado a sensação de que os demais setores envolvidos no processo estão sendo preteridos. Algumas fontes argumentam que os radiodifusores estão representados no Comitê Consultivo e que, portanto, a liturgia deveria ser respeitada, até para valorizar o trabalho que já foi feito e evitar desequilíbrios de posição. Outro ponto que tem causado incômodo a alguns setores do Comitê Consultivo é a falta de providências para que o grupo tenha a estrutura logística necessária, o que tem impedido que algumas entidades sem recursos ao menos participem com um representante as reuniões regulares. O Minicom diz não ter recursos. Em carta aberta aos membros do Comitê Consultivo, Gustavo Gindre, da articulação CRIS-Brasil, diz que "a alegada falta de recursos nos faz questionar sobre a real importância, para o governo, da existência de um conselho que reúna representantes da sociedade civil".

Ouvindo quem investe

O ministro Hélio Costa, em entrevista a este noticiário, disse que não ouviu apenas as emissoras em separado. "Eu comecei ouvindo todas as pessoas e entidades envolvidas. Falei também com o pessoal do rádio. Estive no CPqD em São Paulo, participei de uma reunião com todos os participantes dos consórcios", afirma. O ministro diz ter chamado as emissoras de televisão porque sentiu que, "embora houvesse uma relação do ponto de vista técnico, do ponto de vista empresarial, as emissoras estão totalmente afastadas do processo". De acordo com Costa, "os dirigentes das empresas afirmaram para mim que nunca participaram das reuniões de TV digital, que se dão no nível técnico, e que ninguém os havia chamado para este tipo de discussão. Quem vai às reuniões dos conselhos é o pessoal técnico, mas o dono da empresa não foi chamado". Hélio Costa diz que é o empresário quem vai investir "dois ou três milhões de dólares para digitalizar sua empresa" e que ninguém ouviu o que esse empresário teria a dizer. "É isso que estou tentando fazer. Chamar e discutir do ponto de vista empresarial e dizer: nós estamos num procedimento que vai levar sua empresa a investir milhões de dólares até junho do ano que vem. Você concorda com isso?". Queremos saber se o prazo está certo ou nós vamos pegar o empresário no meio de uma crise, diz Costa. "Quem é que vai colocar a TV digital no ar? São as empresas. São elas que vão realmente fazer o trabalho. Se elas não quiserem, não vai haver TV digital. Cada uma das redes de TV do país tem centenas de retransmissoras em todo o país e cada uma delas terá que ser digital. Como é que vamos conversar sobre isso sem conversar com as empresas?". O ministro das Comunicações diz que "todos os representantes que estiveram aqui comigo, me disseram que nunca foram chamados a discutir com o governo nenhuma proposta neste sentido".

Ouvindo todos

Sobre o fato de as emissoras já estarem representadas no Comitê Consultivo, Costa diz que "é uma participação técnica e não empresarial" e que o conselho está preocupado em verificar os caminhos técnicos. "Como é que nós vamos ter que desenvolver estes softwares, que tipo de equipamento nós vamos ter que comprar, os aplicativos? Isso é o que perguntamos no comitê consultivo", diz Costa. "Alguém virou para as TVs e perguntou: esse negócio é bom para você? Ou esse negócio vai te dar um baita prejuízo no ano que vem? Sua empresa está preparada para investir? Ninguém perguntou. Este foi o objetivo da minha conversa. Mas nunca no sentido de falar em separado. Vou fazer a mesma coisa com todos os
grupos. E estamos fazendo com todos os grupos", afirma o ministro.

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