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Banda larga
Operadoras celulares relatam dificuldades com 3G
terça-feira, 09 de setembro de 2008 , 17h59 | POR FERNANDO PAIVA

Nem tudo são flores após a entrada em operação de redes 3G. Pouco mais de um ano depois do lançamento das primeiras redes HSDPA na América Latina, representantes de operadoras da região que participaram da abertura do seminário AmericasCom, nesta terça-feira, 9, no Rio de Janeiro, relataram os problemas que têm enfrentado no gerenciamento dos serviços nessa nova tecnologia.
A principal reclamação é a necessidade de aumentar a capacidade do backhaul para suportar o crescimento no tráfego de dados. Na Telefónica Móviles do Chile, por exemplo, o tráfego de dados subiu 15 vezes desde o lançamento da rede UMTS, em dezembro de 2007. Na Claro do Brasil, o tráfego de dados aumentou 10 vezes em apenas cinco meses, após o início da operação em HSPDA. Para dar conta do recado, as operadoras estão contratando mais links E1s para conectar às ERBs. Na Ancel, do Uruguai, já existem ERBs com seis E1s. Na Claro brasileira, há ERBs em São Paulo com até oito E1s. De acordo com Maurício Cascão, responsável por inovação tecnológica da TIM, cada ERB HSDPA precisa começar com pelo menos quatro E1s, enquanto uma ERB GSM comum requer uma média de 1,2 E1. O executivo da TIM faz uma comparação interessante: em dez anos de 2G, a TIM instalou cerca de 10 mil sites, que demandaram aproximadamente 12 mil E1s. Agora, só no primeiro ano de operação em HSDPA, a rede da companhia demandará outros 12 mil E1s para atender às 3 mil ERBs de terceira geração que serão instaladas.

Interferência, handover e preços

Há também vários outros desafios a serem superados. Em áreas de fronteira, por exemplo, existem problemas de interferência com as redes de operadoras estrangeiras. A uruguaia Ancel sofreu com esse problema. Sua faixa de uplink em 1,9 GHz era muito próxima daquela de downlink da Claro da Argentina, o que fazia com que uma rede interferisse na outra. "Tivemos que agregar vários filtros e mudar nossa freqüência para reduzir o problema", relata Humberto Roca, diretor técnico da Ancel. O executivo conta que também houve dificuldades para estabilizar o handover entre redes 2G e 3G porque a operadora tem fornecedores diferentes para cada tecnologia.
Por fim, foi levantada também a questão da guerra de preços em serviços de banda larga com as operadoras fixas. A chegada das redes HSDPA tem feito com que as teles fixas reduzam seus preços, ou aumentem suas velocidades. Para competir diretamente com o ADSL, as operadoras móveis são obrigadas a reduzir também seus planos. Para se ter uma idéia, na Ancel o preço caiu 50% em seis meses. Hoje, a tarifa plana para uso ilimitado a 2 Mbps custa aproximadamente US$ 40.

Tamanho das redes

A Ancel tem hoje mais de 100 ERBs HSDPA e terá 200 até o fim do ano. A base de clientes 3G da operadora uruguaia é de 10 mil assinantes atualmente. Sua rede 3G foi lançada em agosto de 2007. Recentemente, a operadora iniciou a oferta de banda larga móvel pré-paga.
A Telefónica Móviles do Chile, por sua vez, tem hoje 600 ERBs HSDPA e 50 mil assinantes de banda larga móvel, dos quais 64% usam planos de tráfego ilimitado. Há também 10 mil assinantes com celulares 3G. Em 2009, a operadora espera que sua cobertura em HSDPA será maior que em GSM.

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