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NCTA Cable 2006
Demanda por set-tops HD surpreende operadores nos EUA
segunda-feira, 10 de abril de 2006 , 16h20 | POR SAMUEL POSSEBON, DE ATLANTA

A NCTA Cable 2006, maior evento da indústria de cabo dos EUA, que acontece esta semana, em Atlanta, apresentou em seu segundo dia uma realidade talvez muito distante da brasileira, mas ainda assim sintomática. A demanda por conteúdos em alta definição tem sido brutal no mercado norte-americano, e os operadores de cabo estão sentindo a pressão.
Um fenômeno curioso é que depois de atingirem a marca de 28,5 milhões de assinantes digitais em 2005 (já mais de 30 milhões a essa altura do ano), as operadoras vêem o aumento da demanda de set-tops highend, ou seja, set-tops com mais tecnologia incorporada. No caso da Comcast, por exemplo, 60% das caixas instaladas é preparada para alta definição e com recursos de gravação incorporados (DVR). A situação é semelhante na Cox, outra grande operadora de cabo. "Falta set-top em alta definição no mercado hoje. Culpe o fato de não termos previsto uma demanda tão grande, ou de não haver memória suficiente no mundo por conta dos iPods, mas o fato é que falta caixa", diz Chris Bowick, CTO da Cox.

Revoluções em curso?

Mas tudo indica que a verdadeira revolução da televisão ainda está por vir. E ela virá com o fim das grades de programação, com o fim da localidade das transmissões e com o fim dos canais como os conhecemos hoje. Tudo isso se traduz em duas palavras: switched video. Trata-se da possibilidade de entregar, via IP, o conteúdo que o assinante quer, com a publicidade voltada para esse assinante, de forma ultra-customizada. É, digamos, a última moda em perspectivas tecnológicas nos EUA. Seria a resposta das operações de cabo à crescente demanda por conteúdos personalizados, às novas tecnologias portáveis, aos podcasts. Na linha de evolução do que existe hoje (no mercado norte-americano) seria a atualização dos digital video recorders (DVRs), do video-on-demand e do pay-per-view. Na prática, o que há nos EUA são testes, e mesmo assim são poucos os operadores que estão se aventurando. "Não é algo que esteja 10 anos adiante, mas não é para este ano e talvez não para o próximo. Mas é algo que vai mudar a forma de ver e fazer televisão", diz Mike LaJoie, CTO da Time Warner.
Outra revolução prometida (e que começa a acontecer com a integração de DVRs com terminais portáveis de reprodução de vídeo, como iPods) é a do space shifting, ou deslocamento espacial. Se os DVRs, ou gravadores digitais, acabaram com a estrutura de grades, os terminais potáveis prometem acabar com a restrição de local. O desafio que os operadores de cabo começam a enfrentar é como permitir que seus assinantes tenham acesso às suas preferências de programação (seja canais locais, seja conteúdos sob demanda) em qualquer lugar. Seria mais ou menos o mesmo fenômeno que aconteceu com a voz sobre redes IP: ligar um receptor ou adaptador a qualquer rede banda larga do mundo e assistir ao mesmo conteúdo a que se teria acesso em casa. "É uma promessa fascinante do ponto de vista da tecnologia, algo ainda distante, mas com sérias implicações. E a primeira delas é o conceito de direitos sobre o conteúdo. Hoje os operadores de cabo têm direto para uma cidade, ou uma região. Fazer um produto como esse é possível, mas o programador vai me deixar entregar, via banda larga, esse conteúdo para o meu assinante, onde quer que ele esteja?", questiona-se LaJoie, da Time Warner.

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