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Fiscalização
Schymura nega que haja auditoria na Embratel
quarta-feira, 11 de setembro de 2002 , 19h59 | POR CARLOS EDUARDO ZANATTA

Informações colhidas junto a fontes de mercado e da agência dão conta que recentemente a Anatel teria determinado um auditoria na Embratel. A empresa e o presidente da agência, Luiz Guilherme Schymura, negam.
Segundo informações colhidas por este noticiário, a Anatel estaria agindo preventivamente sob o temor de que a situação financeira e operacional da Embratel fugisse ao controle devido aos problemas de sua controladora, a WorldCom, de tal forma que seja criado um impasse regulatório. A carrier, como outras concessionárias, não poderá ter o controle modificado antes do vencimento do prazo de cinco anos estabelecido no contrato de privatização. Por isso, haveria o risco de que a operadora chegue ao ponto de não ter outra saída senão ser vendida antes deste prazo.
A auditoria estaria sob a responsabilidade da Ernst & Young, que presta serviços regulares à Anatel e que normalmente é a responsável pelas missões de verificação de rotina dentro das empresas.
Outro objetivo da auditoria especial seria estar atenta às mínimas alterações da saúde financeira da empresa e aos índices de qualidade da operação. E, finalmente, haveria uma preocupação com o controle de gastos em tempos de crise.
Purificación Carpinteyro, vice-presidente de assuntos externos da Embratel, afirma que "não existe nenhuma auditoria da Anatel dentro da Embratel". Contudo, há duas semanas, um conselheiro da Anatel admitiu informalmente que houve a decisão de abrir uma auditoria.

Encaminhamento tortuoso

Um aspecto importante em relação a esta decisão, entretanto, está relacionado à forma como ela foi encaminhada. Segundo mais de uma fonte próxima ao caso, o presidente da Anatel, Luiz Guilherme Schymura, encarregado de comunicar a decisão à empresa, teria, num primeiro momento, aceitado a proposta da própria Embratel, feita por seu presidente Jorge Rodriguez e pela vice-presidente Purificación Carpinteyro, de trocar a mão de direção da auditoria. Ou seja, para todos os efeitos, seria dito que a própria tele teria pedido à agência que fizesse uma verificação completa para ficar claro que a empresa nada tinha a esconder. Schymura teria aceito a proposta da inversão, em princípio. Mas os demais conselheiros posicionaram-se contra, obrigando-o a retomar o rumo original na condução da auditoria. Sobre essa questão, o mesmo conselheiro que confirmou o fato também procurou colocar panos quentes sobre o assunto, explicando: "o nosso presidente deu uma pisada na bola nesse caso, mas isso já está resolvido".
Questionado sobre a veracidade destas informações durante entrevista coletiva nesta quarta, 11, Schymura foi categórico: "não confirmo nenhuma dessas informações. O que acontece na agência é que nós fazemos um acompanhamento das concessionárias. É obrigação da Anatel fazer isso, porque nós temos uma preocupação muito grande, porque se é uma concessionária os bens são reversíveis e o interesse público está sempre sob risco. O papel da agência é de acompanhar e fiscalizar. Para nós não interessa se a concessionária está dando lucro ou prejuízo, nada disso. O que nos preocupa é a reversibilidade dos bens porque eles pertencem à União. Neste sentido, sim. O acompanhamento nas concessionárias é freqüente. Eu lembro, inclusive, que quando aconteceu o episódio da WorldCom, nós estávamos com uma consultoria pronta para entrar na Embratel para fazer o trabalho normal, e nós mandamos ir primeiro para a Telemar para evitar qualquer tipo de ligação com o fato. Esta matéria é antiga. Na época eu colocava a nossa preocupação, que agora não existe mais".

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