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Serviços móveis
Nos EUA, rede de TV móvel está prevista para o fim de 2006
segunda-feira, 12 de setembro de 2005 , 18h15 | POR SAMUEL POSSEBON, DE MIAMI

A disputa entre emissoras de televisão e empresas de telefonia celular para ver quem oferecerá conteúdos digitais e com mobilidade está apenas no começo. Enquanto as empresas de televisão apostam em padrões de TV digital, as celulares correm por fora com seus próprios padrões. Nos EUA, a Qualcomm, que comprou no meio do ano, por mais de US$ 800 milhões, a Flarion, detentora da tecnologia de transmissão digital para redes móveis Flash-OFDM, já marcou data para começar a transmitir: será no quarto trimestre de 2006. No final deste ano chegam aos fabricantes reunidos no FLO Forum os primeiros chips para testes (Samsung, Kyocera, LG entre outros). A aposta da Qualcomm na tecnologia envolve, inclusive, a construção de uma infra estrutura de rede operando na freqüência de 700 MHz. "Seremos uma espécie de atacadistas de conteúdos digitais para operadoras de celular, mas elas poderão ter conteúdos exclusivos negociados por elas também", explica Jeffrey Lorbeck, vice-presidente senior da MediaFLO e diretor responsável pelo projeto. A este noticiário, ele explicou que a iniciativa de construir uma rede acontece nos EUA porque houve uma oportunidade, mas que isso até poderia acontecer em outros países. "Estamos procurando parceiros que se disponham a fazer os investimentos. Apostamos que para as operadoras móveis é fundamental ter uma plataforma paralela para serviços de streaming de vídeo, de forma que as redes não fiquem congestionadas", explica. Segundo Lorbeck, a interação toda é feita normalmente pela rede celular. "Só o streaming de vídeo vem pela nossa rede". É mais ou menos o mesmo modelo que os radiodifusores brasileiros querem que seja implementado no Brasil, mas por meio das freqüências de TV digital, de modo que os radiodifusores tenham total controle sobre o conteúdo que é levado aos aparelhos móveis.

Competidores

Existem tecnologias que competem com o MediaFLO, como a DVB-H, DMB e o próprio padrão japonês de TV digital, o ISDB-T. Segundo Lorbeck, elas estão inclusive bem desenvolvidas, por essa razão a Qualcomm está correndo com sua tecnologia e apostando em um lançamento já em 2006.
A questão, lembra Lorbeck, é quem vai subsidiar ou financiar o handset. No final, é esse player quem acabará decidindo o modelo de negócios. O modelo da Qualcomm imaginado para o MediaFLO é o mesmo da TV por assinatura: dezenas de canais digitais, conteúdos pay-per-view e sob-demanda cobrados por assinatura. "O modelo de flat-fee é melhor porque cria uma base de espectadores, o que possibilita a venda de publicidade", diz, lembrando que mesmo operadores de cabo poderiam passar a operar plataformas para conteúdos móveis e vender para operadoras de celular. O projeto MediaFLO vai além da construção de uma rede em 700MHz, como acontece nos EUA. "Essa é uma característica dos EUA e a rede é contruída pela MediaFLO Inc., mas a tecnologia FLO está disponível em outros níveis para qualquer operador do mundo, inclusive em outras freqüências".

Dados

Para tentar provar para os operadores que o mercado de conteúdos transmitidos por streaming é uma aplicação que pode trazer grande potencial de receitas, a Qualcomm fez uma longa pesquisa que traz alguns resultados instigantes. Segundo esse levantamento, o principal produto que uma operadora móvel pode oferecer ao assinante, na visão do usuário, é obviamente o de voz. Já o serviço de vídeo é o segundo que mais importa aos usuários, significando 1,5 vezes a mais do que uma câmera fotográfica, 2,3 vezes a mais do que o serviço de push-to-talk, seis vezes a mais do que jogos, três vezes a mais do que instant messaging e 1,6 vezes a mais do que navegar na Internet. Os conteúdos que mais interessam são o mesmos registrados em pesquisas semelhantes para o serviço de TV por assinatura. A pesquisa, feita nos EUA, mostra preferência por informações do tempo, seguido de esportes, notícias, músicas e assim por diante. No Brasil, os resultados seriam diferentes, diz a Qualcomm. Se uma operadora oferecesse o serviço de vídeo com possibilidade de armazenamento (como um digital video recorder), download de clipes e programação ao vivo, diz a Qualcomm, 90% dos entrevistados pagariam US$ 10 a mais em sua conta, 50% pagariam US$ 20 a mais e 11% pagariam US$ 35 a mais, sendo que nesse percentual estão concentrados principalmente os fanáticos por conteúdos esportivos.
Segundo a Qualcomm, as receitas das operadoras com serviços de dados (onde estão incluídos os serviços de download de vídeo, mas não apenas eles) são ainda muito discrepantes de região para região. A Vivo, por exemplo, tem 5,7% de suas receitas com dados. A Verizon (EUA) tem 6,3%, a 3Italy tem 14%, a KDDI (Japão) tem 23,8%, a SKT (Coréia) tem 18,4% e a KTF (Coréia) tem 14,8%.
No mercado norte americano, a Qualcomm estima um crescimento de 62 milhões de assinantes até 2009. Na Europa serão mais 80 milhões, outros 98 milhões na europa Oriental, 480 milhões na Ásia, 180 milhões na América do Sul e 101 milhões na África. Lorbeck falou no evento 3G CDMA Americas, que acontece em Miami. (O jornalista viajou a convite da Qualcomm)

Seminário

Nos dias 28 e 29 de setembro acontece em São Paulo o IV Tela Viva Móvel, que nesta edição traz discussões sobre as oportunidades para o mercado audiovisual no celular. Há também uma discussão sobre as outras tecnologias de transmissão móvel de vídeo. Mais informações pelo site www.convergeeventos.com.br. O encontro é organizado pela revista TELETIME e pela TELA VIVA.

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