OUTROS DESTAQUES
Neutralidade
Nos bastidores, chairman da FCC estaria insatisfeito com pressão de Obama
quarta-feira, 12 de novembro de 2014 , 19h37 | POR BRUNO DO AMARAL

Logo após o anúncio do presidente norte-americano Barack Obama em favor da reclassificação da Internet como Title II e da neutralidade de rede na segunda-feira, dia 10, o chairman da Federal Communications Commission (FCC), Tom Wheeler, divulgou nota mostrando apoio às propostas, deixando claro que se opõe à criação de "vias rápidas" para as redes. Ele ressaltou que a agência regulatória é independente e que "irá incorporar a contribuição do presidente na pasta de procedimento da Open Internet", mas foi simpático ao teor. "Recebemos bem comentários e como ela (a proposta de Obama) propõe o uso do Title II da (Lei Federal) Communications Act)".

No entanto, de acordo com reportagem do jornal Washington Post, Wheeler se reuniu com diretores de grandes companhias de Internet, incluindo Google e Yahoo, e mostrou um tom mais amargo em relação à pressão presidencial, procurando uma "solução mais sutil". A nova abordagem, diz o periódico, entregaria o que Obama quer, mas também endereçaria as preocupações dos provedores de Internet como Comcast, Time Warner Cable e AT&T. O Post afirma que o chairman estava "visivelmente frustrado" e que teria dito que "o que precisamos agora é entender como partir o bebê".

Basicamente, o Washginton Post mostra outro lado de Tom Wheeler, lembrando o seu passado de lobbysta da indústria de telecom no Congresso dos Estados Unidos. A matéria também acusa o presidente norte-americano de usar a neutralidade como manobra política populista para atrair jovens democratas já para as eleições presidenciais de 2016. "Sobretudo, assessores achavam que uma posição pública (de Obama sobre o tema) cimentaria aliados no Congresso, assim como progressistas jovens e adeptos da tecnologia, uma parte-chave da base democrata, de acordo com várias pessoas familiares ao assunto".

Há ainda a conjectura de que, se o partido republicano recusasse termos de proteções sugeridos pelo FCC, um veto presidencial do Obama o colocaria "do lado de milhões de consumidores que pediram por regulações mais fortes da FCC". No final das contas, tudo dependerá da agência. Conforme afirma o jornal americano, Wheeler disse repetidamente que a FCC "é um órgão independente". E é, mas precisará se articular dessa forma sem desagradar a mão que a alimentou.

Adiamento

Rumores não confirmados dizem que a proposta de regulamentação da FCC poderia ter adiado para 2015. De acordo com o site The Daily Dot, a secretária de imprensa da Comissão, Kim Hart, teria dito por e-mail que "não haverá votação nas regras de Open Internet na agenda do encontro de dezembro. Isso significaria que as regras seriam finalizadas em 2015". A FCC não se posicionou oficialmente a respeito.

COMENTÁRIOS

Nenhum comentário para esta notícia.

Deixe o seu comentário!

EVENTOS
Não Eventos
Top