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Generali quer dissolução da Telco, maior acionista da Telecom Italia, em junho
quinta-feira, 13 de março de 2014 , 15h11 | POR LETÍCIA CORDEIRO

Os investimentos feitos pela Telefónica para garantir 46% das ações ordinárias da Telco, holding italiana que detém 22,4% das ações de controle da Telecom Italia, ganharam oficialmente outro fator de ameaça. A companhia de seguros italiana Assicurazioni Generali, que junto às também italianas Intesa Sanpaolo e Mediobanca detém os 54% restantes do controle da Telco, pedirá a dissolução da holding no próximo mês de junho. A informação foi dada pelo CEO da Generali, Mario Greco, durante conferência de resultados financeiros da empresa nesta quinta-feira, 13.

Vale lembrar que junho será a primeira janela de exceção para dissolução da sociedade do acordo firmado entre Telefónica e as empresas italianas em setembro do ano passado, quando a espanhola aumentou sua participação no capital total da Telco para 66% através da compra de ações preferenciais (sem direito a voto) para acalmar os ânimos das sócias italiana, que pressionadas pela desvalorização da Telecom Italia, pretendiam vender sua participação e, caso o fizessem para um mesmo comprador, tirariam a Telefónica da posição de maior acionista da Telco. "O acordo com a Telefónica foi muito importante e nos permitiu diminuir a exposição que tínhamos na Telco. A Telefónica tem o direito de exercer opção de compra das ações restantes dos acionistas italianos, a 1,1 euro por ação, mas não acredito que irá exercer essa opção porque não é economicamente viável, então tivemos de nos colocar em um outro framework que é sair da Telco através da dissolução desse veículo. Temos duas janelas, uma é em junho de 2014, a outra, em fevereiro de 2015, mas acho que será mais cedo do que tarde", explica Greco.

Mas o problema da Telefónica vai além das condições financeiras da opção de compra. No início de dezembro, em decisão do ato de concentração brasileiro para autorizar a compra pela Telefónica da participação da Portugal Telecom (PT) na Vivo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou que a Telefónica não poderia adquirir a participação da PT na Vivo e, ao mesmo tempo, manter uma participação indireta na TIM Brasil, por meio do consórcio Telco. O Cade deu duas opções para a Telefónica: encontrar um outro sócio para dividir o controle da Vivo nas mesmas condições de governança da PT ou extinguir a sua posição na Telecom Italia. Mais que isso, o tribunal da concorrência brasileiro determinou que a Telefónica se exima de realizar qualquer movimento para aumentar sua influência na Telecom Italia. Os prazos para cumprimento da decisão do Cade, contudo, são sigilosos, a fim de se evitar especulações no mercado.

Diante da improvável possibilidade de que a Telefónica exerça a opção de compra das ações remanescentes das italianas na Telco, a Generali decidiu pela dissolução do veículo de investimento. "O ambiente mudou. Por isso tivemos de fazer write down do valor dessa participação porque a saída da Telco é algo que agora consideramos", diz o CFO da Generali, Alberto Minali, ao explicar a absorção de um prejuízo de 189 milhões de euros com a reavaliação pra baixo do valor da participação na Telco para 0,72 euro por ação. "A saída com a dissolução da Telco significa que teremos a possibilidade de, junto aos outros acionistas, sair desse veículo e obter os assets que estão embaixo dele, passando a deter ações diretas na Telecom Italia, que são vendáveis no mercado, e aí decidiremos o que fazer", detalha.

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