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Estratégia
Em guerra de comunicados, Telemar desmente italianos
quarta-feira, 13 de julho de 2005 , 20h00 | POR REDAÇÃO

Surgiu mais um conflito no setor de telecomunicações, agora entre dirigentes da Telemar e da Telecom Italia. O pomo da discórdia foi uma entrevista concedida à edição desta quarta-feira, 13, da Folha de S. Paulo pelo presidente da companhia italiana no Brasil, Paolo dal Pino, na qual ele informa que teria sido procurado pela Telemar, interessada em comprar a Brasil Telecom. A repercussão da entrevista gerou um verdadeiro bate-boca entre as duas empresas através de comunicados enviados ao mercado nesta data.
Primeiro, em resposta às declarações de Dal Pino, a Telemar enviou comunicado negando que tenha procurado a Telecom Italia para fazer qualquer oferta pela BrT e desafiando o executivo italiano a provar o que dizia. No documento, a concessionária local escreve: "as afirmações do senhor Paolo Dal Pino são graves porque contestam o modelo de privatização que o Brasil adotou há anos com tanto sucesso. Mais graves ainda por partirem de um estrangeiro. Sua atitude, portanto, é irresponsável e se constitui em um desserviço ao nosso País".
Em resposta à Telemar, a Telecom Italia enviou outro comunicado, no qual descreve como teria sido a aproximação da concessionária local. Segundo a nota, Sergio Andrade, dono da Andrade Gutierrez, acionista da Telemar, teria tentado na semana passada agendar um encontro com o presidente mundial da Telecom Italia, Marco Tronchetti Provera, para tratar do assunto, mas o executivo italiano recusou. Além disso, a nota informa que representantes dos acionistas da Telemar teriam procurado o banco JP Morgan, advisor da companhia italiana na BrT, para tratar do tema. A Telecom Italia se disse surpresa com o fato de a Telemar considerar graves as declarações de Dal Pino especialmente por ele ser um estrangeiro, "o que o que demonstra desprezo pelos investimentos estrangeiros feitos no país". Por fim, a empresa italiana informa que "se reserva qualquer ação para tutelar os próprios interesses a fim de que a verdade não seja manipulada e que seja dada a correta informação ao mercado".

Desinformação

O que permeia a discussão sobre um suposto interesse da Telemar na BrT é a preocupação dos italianos de que haja um leilão na participação do Citibank e dos fundos de pensão para a companhia. A Telecom Italia tem interesse em comprar estas ações, mas quer melhores condições e, se possível, menos concorrencia (o que faria o preço subir). Fundos e Citi buscam mais compradores, para valorizarem suas posições. A Telemar, oficialmente, não está comprando. O tema nunca foi levado ao conselho da empresa. Mas pode ser verdade que acionistas da Telemar estejam sondando a BrT, no mínimo para ter informações de mercado ou para tumultuar o processo. Há um jogo de informações desencontradas, algumas delas espalhadas até mesmo por altos integrantes do governo. O ex-ministro José Dirceu chegou a estar no centro destes rumores.

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