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Serviços móveis
Modelo para TV no celular ainda está longe da definição
quarta-feira, 14 de setembro de 2005 , 14h16 | POR SAMUEL POSSEBON, DE MIAMI

O tema "TV no celular" tem dominado os eventos de telefonia móvel nos EUA, e no 3G CDMA Americas, que acontece esta semana em Miami, não é diferente. Mesmo nos EUA, poucos operadores estão ganhando muito dinheiro com isso. Os principais resultados ainda estão na Ásia, onde empresas como a KDF têm mais de 1 milhão de usuários acessando conteúdos audiovisuais no celular. Mas os debates sobre os impactos da convergência entre TV e celular já são intensos.
Este noticiário conversou com palestrantes e visitantes do evento e colheu algumas impressões. O que se percebe é que ainda não há clareza sobre que tipos de conteúdos farão sucesso. "As pessoas pagariam para ver aquilo que elas realmente precisam, com mais urgência, mas não posso afirmar isso definitivamente", explica Jody Fennel, vice-presidente de desenvolvimento de negócios dos canais Weather Channel nos EUA. "Na Coréia a maior audiência fica com conteúdos adultos e os canais aos quais as pessoas estão mais acostumadas, da TV aberta", diz Won Jin Park, vice-presidente da operadora KTF. Ele diz que o segmento de filmes também tem crescido no celular, a ponto de levar a KTF a cogitar a compra de estúdios de cinema. Parece um paradoxo, já que a tendência é buscar em celulares conteúdos de curta duração. A lógica que explica o fenômeno, pelo menos na área de atuação da KTF, é que muitas pessoas ficam muito tempo paradas em meios de transporte ou em situações de espera.
"A tendência é buscarem no celular aquilo que conhecem e gostam na televisão", pondera Jeff Lorbeck, da MediaFLO (Qualcomm), citando pesquisas que apontam este caminho. "Mas acho que o efeito do podcasting, de programação dedicada ao gosto do usuário, pode também começar a aparecer nos serviços móveis", explica. Podcasting nada mais é do que um nome simples para o ato de colocar, em um tocador pessoal de música, conteúdos não necessariamente musicais, como a programações de rádios (incluindo narrações), palestras, aulas, etc. A prática do "podcasting", que não é nova, ganhou força com a onda provocada pelo tocador iPod, da Apple (daí o nome). Para Lorbeck, conteúdos como esportes são universais e têm fanáticos dispostos a pagar caro por ele seja qual for a tecnologia de distribuição.

Conta repartida

De onde virão, por fim, as receitas que financiarão a TV no celular? Hoje não são grandes as apostas do mercado publicitário. "O dinheiro vem, em um primeiro momento, do próprio assinante, que paga por isso", diz Richard Bennet, da Smartvideo Technologies. Um exemplo interessante, mais uma vez, vem da Coréia, onde o mercado é mais desenvolvido.
Quando a KDF lançou o serviço de TV para aparelhos móveis distribuído por satélite (lá, a operadora preferiu não sobrecarregar a sua rede de celular para oferecer o serviço), enfrentou uma situação muito parecida com o que pode acontecer no Brasil. Os radiodifusores reclamaram e não deixaram que seus sinais fossem distribuídos. "O governo obrigou a criação de uma rede de TV móvel terrestre, que deveria ser gratuita ao usuário de celular. A receita dessa rede deveria vir da publicidade, mas esta não cobriu os custos. Então, o governo decidiu que nós e os fabricantes de celular deveríamos pagar a conta", afirma Park, da KDF, deixando claro a força que os operadores de TV aberta tiveram na definição do modelo de negócios. Com isso, a Coréia, que é o principal mercado desenvolvido de TV digital para celular, viveu uma situação inusitada: a operadora KDF oferece um serviço cobrado, via satélite, e outro gratuito, terrestre.
"Também acho que a publicidade não sustentará os serviços de TV móvel", diz Lordbeck.

Papel da TV paga

Segundo Jody Fennel, do Weather Channel, nos EUA as operadoras de cabo não gostam quando programadores vendem seus conteúdos para redes de celular ou redes banda larga. "Com razão, elas alegam que ajudaram a desenvolver estes conteúdos", diz. O que existe, diz Fennel, é um movimento muito delicado de transposição dos conteúdos de TV para outras mídias, respeitando a opinião dos operadores de cabo e desenvolvendo conteúdos específicos. Mas nem todos os programadores têm essa facilidade, pela natureza de seus conteúdos", explica. Ela lembra que há rumores de que algumas operadoras de TV paga buscam alternativas aos serviços móveis, chegando ao "quádruplo play". O caminho que a maior parte está traçando é o de se tonarem operadoras virtuais, ou seja, prestar o serviço sobre a rede de uma operadora de telefonia móvel. No Brasil, esse caminho é quase impossível, primeiro porque as operadoras de telefonia móvel não abrem espaço para operadoras virtuais e, depois, porque não há regulamentação clara sobre o tema.
De qualquer maneira, diz Ferrel, uma vez que se tornem operadoras móveis, as operadoras de cabo devem aceitar melhor a idéia de que os conteúdos de TV também precisam chegar aos celulares.

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