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Disputa entre sócios
Poder do Citibank na BrT é maior do que o informado
quinta-feira, 16 de outubro de 2003 , 18h58 | POR SAMUEL POSSEBON

O Citibank pode ter uma presença dentro da Brasil Telecom independente dos veículos geridos pelo grupo de Daniel Dantas e muito mais significativa e maior do que imaginavam os fundos de pensão, Telecom Italia, Anatel, CVM e a própria SEC norte-americana. O banco, ao que tudo indica, tem uma participação relevante via Citicorp Venture Capital (com sede em Nova York) na empresa, participação essa até então desconhecida. Trata-se de uma informação relevante em um momento que os fundos de pensão começam a se dar conta de que o Opportunity, na verdade, não agiu de forma isonômica na administração dos recursos do Citi e dos fundos, como previam as regras do CVC Opportunity.
A prova da participação direta do Citibank está na poderosa Timepart, hoje controladora de 62% das ações ordinárias da Solpart, que por sua vez controla a Brasil Telecom Participações. A Timepart é uma empresa com três acionistas, cada um com cerca de um terço de suas ações. Um dos acionistas é a Privtel, 100% controlada por Eduardo Cintra Santos, engenheiro, residente no Rio de Janeiro e que já participou do conselho da BrT. O outro acionista é a Teleunion, 100% pertencente a Luiz Raymundo Tourinho Dantas, advogado, pai de Daniel Dantas. O terceiro acionista é o Telecom Holdings, 100% controlado por uma empresa chamada CSH LLC, baseada em Phoenix, Arizona, mais precisamente no endereço 505 North 51st Avenue. É o que está nos registros da Anatel e no acordo de acionistas da Solpart firmado em 1998 e refeito em 27 de agosto de 2002 em função da mudança de participação da Telecom Italia. São poucas as referências oficiais sobre quem seja essa empresa CSH LLC. As mais completas estão nos registros feitos pela Brasil Telecom Participações à SEC (Securities and Exchange Comission) nos EUA. No último 20F (espécie de relatório anual de 2002, registrado em 30 de junho deste ano) é dito que a "Telecom Holding S.A. é, pelo que é de nosso conhecimento, controlada por CSH LLC e CSH Units. CSH LLC e CSH Units são controladas pelos membros da família Woog". Não há outras referências.
TELETIME News pesquisou junto a diversas autoridades norte-americanas. Quem começou a esclarecer o mistério da CSH foi a Arizona Corporation Commission. Segundo os documentos disponíveis, no endereço 505 North 51st Avenue, em Phoenix, há o registro de uma empresa chamada Cable Systems Holding. A coincidência do nome com a sigla CSH não é casual. A Cable Systems Holding foi, entre 1996 e 2000, controlada pelo Citicorp Venture Capital (CVC), braço do Citibank para investimentos em private equity e principal quotista do CVC Opportunity Equity Partners L.P. Segundo os registros das autoridades do Arizona, o CVC era o único investidor da CSH com mais de 20% das ações. Se há outros sócios, os registros não foram encontrados.

Woog

Mas e a família Woog a que a Brasil Telecom se refere? Segundo os registros oficiais, o presidente da CSH no período em que o Citicorp Venture Capital aparece como sócio era Peter A. Woog, um engenheiro com mais de trinta anos de carreira na AT&T. TELETIME News falou com Peter Woog por telefone. De seu escritório em Phoenix, Woog disse conhecer a Brasil Telecom, mostrou-se desconfortável ao saber que seu nome era usado em um documento registrado na SEC, mas preferiu não dar maiores explicações. Disse apenas que quem poderia explicar quem é a CSH LLC é o próprio CVC ou o Opportunity. Perguntado sobre quem, no CVC, poderia dar maiores esclarecimentos, Peter Woog referiu-se a Mary Lynn Putney, diretora de investimentos internacionais do Citibank.
A Cable Systems Holding, como mostram os documentos a que este noticiário teve acesso, era um investimento direto do CVC. Participou como investidora em outras empresas e atuou como fabricante de cabos e equipamentos para telecomunicações. Ao final de 1999 foi adquirida pela Belden, uma grande e centenária empresa fabricantes de cabos. Mas, segundo Peter Woog, a divisão CSH LLC, não foi vendida na mesma operação. A informação é confirmada pela diretora de relações com o mercado da Belden, Dee Johnson. Segundo ela, no momento da aquisição apenas a unidade de fabricação de cabos e equipamentos entrou no negócio. A Belden, portanto, não tem nenhuma relação com a Brasil Telecom. Curiosamente, entretanto, o endereço fornecido às autoridades brasileiras como sede da CSH LLC em Phoenix é, hoje, a sede da Belden Communications Company.
Até o fechamento desta edição, nem o Citibank nem o Opportunity haviam dado suas versões sobre a CSH. Alguns dos documentos comprovando a ligação entre o Citicorp Venture Capital e a CSH estão disponíveis na Internet, nos endereços:

http://159.87.17.11/cgi-bin/wspd_cgi.sh/WService=wsbroker1/names-detail.p?name-id=F07592644&type=CORPORATION

http://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1052022/0001047469-98-021583.txt

http://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1052022/0001047469-99-023007-index.html

http://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1052022/0000889812-00-001072-index.html

(recomendamos atenção às quebras de linha)

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