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Mobile World Congress
Mobile TV ainda patina; Qualcomm aposta em retomada nos EUA
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 , 17h33 | POR SAMUEL POSSEBON, DE BARCELONA

Sensação do Mobile World Congress de três anos atrás, quase não se fala mais em mobile TV durante este, que é o principal encontro das operadoras de telefonia celular. Isso significa que o mercado não decolou? A explicação encontrada por este noticiário é outra. Foram vários os fatores que fizeram com que a mobile TV não tivesse o desempenho inicialmente projetado. A primeira foi a chegada do iPhone. Ao mesmo tempo em que o celular da Apple chamou a atenção para as possibilidades de uma série de aplicações que não envolviam necessariamente vídeo, ele fez explodir o tráfego de dados na rede das operadoras que, assustadas, seguraram os planos ou pararam de impulsionar o mercado de vídeo. Outra explicação foi o atraso da implantação da TV móvel na Europa (DVB-H), o que aconteceu basicamente por uma discussão sobre quem seriam os operadores desta faixa, se os radiodifusores ou os operadores móveis. De fato, as autoridades europeias, preocupadas com esse atraso, estão considerando inclusive abrir o mercado de TV móvel para outras tecnologias. Já nos EUA, o problema foi a transição entre a TV analógica aberta e a TV digital. Com o adiamento do desligamento definitivo das redes analógicas e a subsequente crise econômica, as duas operadoras colocaram seus projetos em ponto morto.
Projeto revigorado
A Qualcomm, controladora da FloTV e uma das maiores fomentadoras do modelo de broadcast para mobile TV, acredita que um novo momento para esse mercado está chegando, sobretudo com o fim da TV analógica nos EUA. Primeiro, porque ficou claro para os operadores que o melhor modelo de TV móvel é aquele que não precisa usar a rede de dados. Acrescentar o tráfego pesado de vídeo para serviços de TV paga móvel ao já carregado espectro voltado para a terceira geração seria suicídio. A outra razão é uma maior eficiência. Segundo Vicki Mealer, diretora de produtos FloTV, uma nova versão da tecnologia (FloEV), com maior capacidade de transmissão de dados permite acrescentar até 30% a mais de canais, chegando a um total de 30, por um preço 30% menor. Também havia um problema de preço nos EUA, tanto é que a AT&T recentemente reduziu a assinatura do serviço de US$ 14,99 para US$ 9,99. O FloTV também foi anunciado durante o Superbowl, o principal evento esportivo norte-americano.
Multiplataformas
O foco da Qualcomm é fazer a tecnologia FloTV disponível em muitos dispositivos, e não apenas em handsets. Nesse sentido, há protótipos e negociações com fabricantes de veículos e de TVs portáteis. Outra aposta é tornar a tecnologia disponível em vários países. No Japão já há uma joint venture, dependendo de questões políticas para ganhar velocidade, e no Reino Unido foram feitos testes com a BSkyB. A tecnologia Flo utiliza espectro de 700 MHz e canais de 6 MHz para fazer a transmissão dos canais móveis, no modelo por assinatura. No Brasil, a aposta da Qualcomm é na viabilização do espectro hoje destinados aos operadores do antigo serviço de TVA (Serviço Especial de TV por Assinatura), que ocupam um único canal analógico de 6 MHz na faixa de UHF. Segundo Mealer, essa discussão regulatória está acontecendo em todo o mundo, e essa também é uma das razões para atrasos na popularização da TV móvel.
Existem também, é claro, os modelos de transmissão móvel aberta e gratuita, como no Brasil, mas também nesse caso existe uma discussão sobre o quanto esse conteúdo móvel precisa ser adaptado para a nova plataforma e os custos para isso, já que na transmissão aberta o único modelo de remuneração é a publicidade. No caso do Brasil, há ainda o complicador regulatório que impede radiodifusores de fazerem conteúdos móveis diferentes dos conteúdos dos canais principais.

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