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NIC.br diz que não buscará ampliar estoque de endereços IPv4 para o Brasil
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014 , 19h07 | POR SAMUEL POSSEBON

Na noite da última sexta, dia 14, o NIC.br, órgão responsável pela gestão de domínios e endereços de Internet no Brasil, publicou um artigo sobre a reunião realizada na semana passada para tratar, entre outros temas, sobre a questão do Termo de Compromisso que o NIC vinha tentando celebrar com as teles para assegurar um cronograma de transição para o IPv6. Conforme informou este noticiário, durante esta reunião, ocorrida no dia 12, a Anatel decidiu assumir a coordenação da migração junto às operadoras, dada a dificuldade para que se chegasse a um entendimento no âmbito exclusivamente do Termo de Compromisso com o NIC.

Ricardo Patara, um dos integrantes do NIC.br e co-autor do posicionamento, em entrevista a este site, deu duas informações importantes: a primeira é que, havendo ou não um entendimento sobre o cronograma para a migração, não haverá nenhum tipo de risco, já que inevitavelmente as operadoras deverão adotar práticas de mitigação como o compartilhamento de endereços IPv4. Não é o recomendado, mas é o possível.

Ainda segundo Ricardo Patara, o NIC.br tem uma reserva técnica de endereços IPv4 que serão destinados exclusivamente a novos provedores que queiram entrar no mercado após o anúncio oficial do esgotamento dos endereços IPv4. "Essa reserva visa garantir que eles possam estar conectados à rede, mas eles precisarão encontrar formas de expandir suas bases de assinantes usando ou o IPv6 ou com técnicas de compartilhamento", disse Patara. Segundo ele, essa reserva técnica será suficiente para 1024 novos provedores, o que dá cerca de um ano na demanda atual. Para os provedores existentes, o estoque de IPv4 estará esgotado.

Segundo Patara, o NIC.br não deve encaminhar ao LACNIC (equivalente ao NIC para o âmbito de toda a América Latina) e aos outros organismos de domínios uma proposta para permitir a transferência e uso de domínios destinados a outras regiões do mundo para o Brasil. Segundo Patara, isso não significa que as próprias operadoras interessadas não possam fazê-lo. Mas segundo ele, esse tipo de reaproveitamento de endereços é pouco eficiente diante da complexidade que o rastreamento dos endereços ociosos teria. Para o NIC.br, o melhor é continuar incentivando a migração para o IPv6.

A questão é relevante porque algumas operadoras de telecomunicações já foram procuradas por intermediários que tentam vender lotes de endereços IPv4 alocados a outras regiões. Segundo Patara, tecnicamente o uso desses endereços é possível, mas sem uma regra de transferência, esses endereços não seriam registrados como pertencentes a empresas no Brasil e isso poderia trazer problemas para as operadoras. Segundo Patara, só as regiões da América do Norte e Ásia acertaram uma regra de transferência, mas mesmo assim a quantidade de endereços transferidos teria sido "muito pequena" (na casa dos 500 mil, segundo Patara).

Ajuda positiva

Em seu texto sobre o andamento das negociações para a migração para o IPv6, a criação de um grupo para tratar da migração no âmbito da Anatel é vista como positiva e como uma reação necessária ao atraso que as operadoras apresentam na sua migração. Segundo o texto, "algumas das operadoras de telecom responsáveis pelo backbone da rede estão atrasadas na implantação do IPv6. Isso atrasa toda a cadeia envolvida no fornecimento de serviços na Internet: pequenos provedores, datacenters e empresas não podem avançar se não houver oferta de trânsito IPv6 por parte das principais operadoras. O caso mais grave é o de uma grande operadora com atuação majoritária na região nordeste do País, que não oferece o serviço nem em caráter experimental ainda. A situação levou o Comitê Gestor da Internet a interpelar formalmente as operadoras, em dezembro de 2013, por meio de ofício. A inação de algumas delas provocou recentemente uma bem vinda reação da Anatel, que as convocou para uma reunião à portas fechadas na semana passada, anunciando na reunião no NIC.br, no dia 12, que atuaria mais fortemente junto a esse setor para que um cronograma fosse definido nos próximos dias".

O texto ainda confirma a informação de que em breve a Anatel deve divulgar orientações sobre a homologação de equipamentos para uso em redes de Internet, inclusive celulares e equipamentos de Wi-Fi, que necessariamente precisarão ter suporte a redes IPv6.

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