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Competição
Estudo da ABTA analisa entrada das teles na TV paga
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007 , 16h13 | POR ANDRÉ MERMELSTEIN

Em uma apresentação à imprensa definida como "tensa" pelo diretor-executivo da ABTA, Alexandre Annenberg, devido ao teor polêmico do assunto, a associação das empresas de TV por assinatura expôs um estudo, elaborado pela consultoria Frost & Sullivan, que avalia o impacto de uma eventual entrada das empresas de telefonia fixa no setor, e faz recomendações para que, segundo a associação, se mantenha um quadro de competição no setor.
Em linhas gerais, o estudo comparou as condições competitivas nos mercados de televisão por assinatura, telefonia fixa e banda larga em oito países, e concluiu que para que haja competição, são necessárias algumas medidas antes que se libere o mercado às gigantes de telecom.
Algumas destas medidas são o unbundling (cessão da rede de acesso das teles a outros operadores), tarifas assimétricas e a portabilidade numérica.
Outra linha de análise do estudo foi mostrar que há uma disparidade de tamanho muito grande entre a indústria de pay TV e a de telefonia no Brasil, onde a segunda seria cerca de 12,5 vezes maior que a primeira, em faturamento bruto.
Em outros países esta relação é bem menor, o que implicaria, segundo a tese levantada pela consultoria, condições competitivas mais justas. Como exemplo citou-se o México, onde as teles são "apenas" 7,8 vezes maiores que as empresas de TV paga, os EUA (4,7 vezes) e o Chile (2,3). Apenas a Itália, entre os países estudados, tem disparidade maior que no Brasil. Ali, as teles são 15,5 vezes maiores que as empresas de cabo.
Outro fator de fragilidade das operadoras de TV em comparação com as teles, apontado pelo estudo, é que no Brasil, diferentemente de outros países, a receita ainda é fortemente calcada no serviço de vídeo, que seria muito prejudicado pela concorrência das teles.

Bolo dividido

Segundo Alex Zago, analista da Frost & Sullivan responsável pelo estudo, em um cenário no qual as teles entrassem praticando dumping, elas conquistariam 19% do mercado de TV paga até 2008 e 37% até 2010. Caso entrassem apenas provendo o triple play, a preços de mercado, ficariam com 10% e 19%, respectivamente. E caso entrassem apenas prestando serviços de valor agregado, como video-on-demand, teriam 6% do share em 2008 e 13% em 2010. O que o estudo não mostra é qual seria o crescimento total do número de assinantes do setor de TV por assinatura com a entrada das teles. Zago afirmou que o bolo total cresceria, especialmente num cenário de dumping, mas que isso seria prejudicial ao mercado no longo prazo. O estudo também não considerou eventuais ganhos de escala, por exemplo na compra de programação.

Espera

O estudo da F&S conclui que para se manter a competição na TV por assinatura, o Brasil deveria aguardar um cenário de maior "maturidade e igualdade de condições de competição", ou seja, quando haja uma disparidade menor do poder de fogo das empresas, mas não especificou de quanto seria este período de reserva. Também recomenda a abertura da TV paga ao capital estrangeiro, para que haja isonomia de condições com a telefonia.
Annenberg, da ABTA, afirmou que a associação não tem nada contra as operadoras entrarem fora de suas áreas de concessão (por exemplo, se a Telefônica comprasse operações fora do Estado de São Paulo ou se a Telemar comprasse a TVA, hipoteticamente), mas que elas não podem se tornar um monopólio privado dentro de suas áreas. O executivo também diz que a associação é favorável à abertura do mercado no futuro, quando houver condições de competição. Mas não especificou quais condições seriam essas (por exemplo, qual relação entre faturamento das teles versus faturamento das TVs), e nem quanto tempo isto pode demorar.

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