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Estratégia
Fundos e Citi querem manter italianos fora da BrT
quinta-feira, 21 de julho de 2005 , 20h13 | POR RUBENS GLASBERG E SAMUEL POSSEBON

Muita confusão pode ser antevista no futuro da Brasil Telecom. Salvo manobras inesperadas, fundos e Citibank devem assumir o controle da empresa a partir do dia 27, quando acontece a AGE de destituição dos atuais conselheiros e diretores. Mas a briga, sobretudo por parte da Telecom Italia, deve continuar. A operadora italiana considera que está no bloco de controle da tele brasileira. Fundos e Citi entendem que não e buscarão manter a Telecom Italia sem seus direitos de acionista, ou seja, sem indicar diretores, sem conselheiros e sem poder de veto em decisões.
Em conferência a analistas de mercado realizada nesta quinta, 21, Carla Cico, presidente da Brasil Telecom, evitou falar sobre o futuro da empresa. Disse que não era a pessoa indicada para responder a esse tipo de pergunta. Analistas interpretaram a fala de Cico como uma despedida. Ela certamente será substituída se fundos e Citi conseguirem seus objetivos. Este noticiário apurou que os principais diretores ligados a ela também devem ser substituídos. Outros já estão até colaborando com os futuros novos administradores, até para evitar serem processados no caso de ficar constatado alguma irregularidade na gestão.
Mas o principal nó a ser desatado continua sendo a presença da Telecom Italia no controle da empresa. Desde o começo de 2004 a operadora tentava reaver esta posição, que perdeu em 2002 após acordo em que se retirou da tele fixa para iniciar sua operação móvel. O acordo previa sua volta, mas o Opportunity nunca permitiu, alegando que a BrT havia iniciado sua própria operação móvel e que haveria, portanto, conflito. A disputa foi parar na Justiça, se arrastando por meses e chegando à Corte de Arbitragem de Londres. Em 28 de abril deste ano, italianos e o grupo de Daniel Dantas firmaram um acordo e a TI finalmente vislumbrou o fim das disputas judiciais e seu retorno ao bloco de controle. Só que a Justiça do Rio de Janeiro, a pedido do Citi e dos fundos, entendeu que Dantas não tinha mais poder para fechar tal acordo, por já ter sido demitido da gestão da empresa. E com isso deu ordem para que a situação voltasse a ser a de 27 de abril, com a TI fora da empresa.

TI quer voltar

A Telecom Italia, segundo fontes da empresa, entende que já está no bloco de controle da BrT desde que voltou a ter 38% das ações da Solpart. "Temos 18 meses para resolver a sobreposição de licenças", diz um executivo, lembrando que a solução dada pelos italianos é a que está posta no acordo com o Opportunity, ou seja, a fusão da TIM com a BrT GSM, com preço e condições a serem estabelecidos por avaliação externa. A tele italiana diz que investiu muito dinheiro na companhia e que o acordo de acionistas dá o direito de volta.
Fundos e Citi pretendem, contudo, manter a Telecom Italia sem seus poderes de acionista, usando os mesmos argumentos que o Opportunity usou de janeiro de 2004 até abril deste ano: a BrT investiu em uma operação móvel e não é justo que a Telecom Italia crie obstáculos a esta estratégia. Já a Telecom Italia certamente deve alegar que a Anatel e o Cade já deram a condição para que ela tenha seus direitos de acionista restituídos. Ou seja, ela não indicaria diretores e os conselheiros seriam independentes, e ela não participaria de decisões envolvendo questões ligadas à BrT GSM. Além disso, a sobreposição de licenças teria que ser resolvida em 18 meses.
Além dessa disputa, fundos e Citi devem se envolver em um processo de auditoria profundo na BrT, para verificar se houve ou não gestão fraudulenta na empresa enquanto o Opportunity esteve no comando.

Futuro

Fundos e Citibank não mostram pressa para vender suas respectivas participações na Brasil Telecom agora. Pretendem avaliar a empresa e buscar, com calma um comprador. A Telecom Italia, que era a principal candidata à compra, joga duro. Diz que não compra a parte dos fundos, e tampouco a do Citi, "que já foi comprada pelos fundos no acordo de put". Aliás, esse acordo de put é a pedra no sapato dos italianos, pois criou um preço mínimo, que combinado com a necessidade de comprar todas as ações de fundos e Citi, inviabilizaria a operação. Por outro lado, a TI propôs pagar ao Opportunity um valor que fundos e Citi aceitariam, caso recebessem a oferta, o que não aconteceu.

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