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Teles ainda esperam que Hélio Costa mude discursos
quinta-feira, 21 de julho de 2005 , 20h20 | POR CARLOS EDUARDO ZANATTA

De acordo com um alto executivo de uma concessionária de telefoni fixa, as empresas virão a Brasília nesta sexta, 22, com muita expectativa em relação ao discurso do ministro Hélio Costa.
O executivo considera que as primeiras declarações de Hélio Costa provocaram um verdadeiro pânico entre as empresas: "O que todo executivo de empresas de área de infra-estrutura em todo o mundo deseja é ver o final da estrada onde ele está colocando o dinheiro dos investidores. É ver esta estrada funcionando, prestando serviço à sociedade e remunerando o capital investido. Para quem precisa fazer investimentos de longo prazo e com maturação lenta, o pior dos mundos é a possibilidade de mudança no meio do caminho. Apesar da má impressão inicial, parece que Hélio Costa não é tão mal assim, pois já tem se mostrado interessado em aprender sobre telecomunicações, a parte do setor que ele certamente desconhece, na medida em que ele é um homem de mídia", conclui.O executivo lembra que a gestão do ministro Miro Teixeira provocou uma enorme reversão de expectativas no setor: "pela representatividade e conhecimento do ministro Miro, assim como pelo bom trânsito que ele tem dentro do Congresso Nacional, nós esperávamos que ele fosse um homem de diálogo, o que não acabou acontecendo, especialmente com o desastrado processo de reajuste de tarifas, quando, pela primeira vez no mundo, se viu um ministro sugerir à população o desrespeito aos contratos assinados. Miro tratou as empresas como animais detestáveis". O executivo continua sua análise considerando que com Eunício de Oliveira, houve novamente uma reversão de expectativas: "nós acreditávamos que o deputado do PMDB, que desconhecia totalmente o setor, chegaria tomando atitudes populistas, prevendo o caos. Mas, felizmente, isso não ocorreu. Eunício foi uma pessoa que buscou o diálogo com o setor".

Populismo

Sobre a assinatura básica, o mesmo executivo considera que, ao levantar em primeiro lugar a discussão sobre um "detalhe" de um dos serviços de telecomunicações ("detalhe que certamente é importante, mas que não vai resolver a questão", diz) o ministro está cometendo um grande equívoco em relação ao setor.
Para este executivo, em um momento em que, com o esgotamento do modelo anterior, é necessária a discussão de um novo modelo de telecomunicações para o país, o ministro quer reduzir alguns reais no valor da assinatura básica ou até mesmo provocar um verdadeiro caos no setor ao pleitear o fim desta cobrança. "Eu arrisco dizer que esta discussão teria que ser feita em conjunto com os outros setores de infra-estrutura como energia e água onde a população também deve estar enfrentando o mesmo tipo de dificuldade. Especificamente em relação ao setor de telecomunicações, precisamos discutir a inclusão digital, a convergência de meios, os recursos da voz sobre IP, que deverão afetar o modelo estabelecido para as concessionárias, entre outras coisas", diz a fonte. E esta discussão deve ser feita, na visão do executivo, considerando o conjunto dos meios já disponíveis, como o Fust, as redes já instaladas e sua ociosidade, e a gigantesca carga tributária incidente sobre um setor essencialmente de insumos para o desenvolvimento. Tudo isso, de forma a conseguir o respeito aos interesses da sociedade e o acesso a um novo ciclo de investimentos no setor de telecomunicações: "um ministro deve se lembrar que, neste caso e para atingir estes dois objetivos, seu papel será identificar as possibilidades, e mediar os conflitos que naturalemente vão surgir".

O momento atual

a fonte considera, por fim, que o ministro não deve se esquecer que as empresas ainda têm que cumprir metas de universalização até o final deste ano, metas que exigirão ainda US$ 300 milhões em investimentos, muitas vezes em instalações cujo custo não correspondem de forma alguma ao pequeno benefício que poderão proporcionar. Além disso, o setor se prepara para assinar os novos contratos de concessão com cerca de 20 alterações que deverão provocar mudanças sensíveis no setor, diz.

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