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Futuro da Internet será determinado pela segurança, alertam especialistas
terça-feira, 23 de maio de 2017 , 17h03

A segurança é o fator chave para garantir o futuro da Internet, determinando não apenas a existência de uma rede aberta e diversa em modelos de negócio, mas também a confiabilidade dos usuários. Esta é a visão de especialistas durante painel sobre o futuro digital no LACNIC 27 nesta terça-feira, 23, em Foz do Iguaçu (PR). A gerente geral do CERT.br, que faz parte do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Christine Hoepers, alerta que, se não houver uma mudança de paradigma para tratar o assunto de maneira mais eficiente, a rede será dominada pela ciberguerra. "Acho que, da maneira como os dispositivos estão sendo produzidos e conectados hoje, já estamos vendo efeitos, com ataques DDoS muito grandes, abusando da Internet das Coisas, e o aumento da extorsão", declara. "Vamos chegar a um ponto da 'Internet of Gangsters', que não é saudável."

Hoepers reclama especialmente de fabricantes de hardware e sensores de IoT, que jogam responsabilidade para terceiros e adotam a "filosofia do 'instale e esquece', na qual (dispositivos) não têm updates de segurança". Ela usa o termo "Internet of Gangsters" justamente porque os criminosos poderiam tomar controle da rede, exigindo pagamento para que não houvesse ataque, por exemplo.

A solução, diz, é mover para o modelo "Internet da Comunidade (IoC)", com a comunidade multissetorial tomando as rédeas e evitar a criação de um ecossistema virtual hostil. "Conversamos muito com pequenos provedores e AS (sistemas autônomos), e é um desafio na América Latina, você precisa de equipamentos de baixo custo e precisa levar isso (a segurança); a gente precisa cobrar dos fabricantes", conta. Hoepers alerta ainda para a tentativa de imputar a legislação existente a problemas de segurança na Internet. "Sabemos que não vai funcionar, precisamos trazer pessoas para cá para entender que problema de segurança na Internet não é igual a da segurança pública."

Para o vice-presidente de engajamento técnico da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), Adiel Akplogan, a evolução da rede em dez anos não mais passará pela infraestrutura, mas pelas regras de uso e aplicações – e em como o meio físico lidará com isso. Assim como Christine Hoepers, ele dá dois cenários possíveis para a próxima década: o lado de luz e o lado escuro da "Força". No primeiro, ele prevê a borda cada vez mais conectada e uma Internet mais confiável, inteligente e segura, com inteligência artificial "poderosa e acessível, utilizada em diferentes áreas e para resolver problemas banais do dia a dia". Destaca ainda que a privacidade será um problema crítico, mas que haverão serviços que tentarão garantir a segurança online. "Vamos ter controle sobre isso, ou pelo menos a impressão", diz.

O lado escuro, contudo, seria a extensão do que acontece atualmente, com ameaças cada vez mais abrangentes. Ele destaca que a Internet não será fragmentada em termos de infraestrutura, mas que há barreiras – como a financeira e a língua, além da (falta de) segurança, especialmente sem a implantação do IPv6. "O lado escuro terá cada vez mais consolidação, e, por que não, companhias grandes demais podem querer governar o mundo inteiro", diz, sem exemplificar. "Estamos enfrentando como comunidade um desafio importante, o da inclusão numa abordagem multistakeholder que enfocam esse problema. Devagar, a Internet está saindo de uma coisa exclusivamente técnica para ser uma ferramenta da sociedade."

Estrutura

Para o representante da Netflix, Flávio Amaral, a tendência do futuro é continuar a levar o conteúdo mais próximo (com CDNs, por exemplo), mas também a forma de interação, com a inteligência artificial aliando-se aos algoritmos de personalização para mudar a interface do usuário. Pelo lado do representante da Telefónica Argentina, Matías Quintanilla, deverá haver ainda mais pontos de interconexão. "O crescimento em volume e quantidade de usuários nos obriga a ter cada vez mais pontos de interconexão e redes que vão ser mais seguras, que permitam aos usuários ter serviço e confiabilidade alta", destaca.

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