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PT está preocupado com reajustes das tarifas públicas
quarta-feira, 23 de outubro de 2002 , 19h33 | POR SÉRGIO SISTER

Fonte do alto escalão do Partido dos Trabalhadores (PT) desenhou para este noticiário o que poderia ser a política monetária do início do governo Lula. Um banqueiro que participou de algumas conversas com lideranças petistas fez um esquema muito parecido. Vale antecipar que a negociação de tarifas de serviços públicos (inclusive telefonia) pode ser parte importante dessa atuação. ?Negociação com troca, mas nunca imposição?, ressalta a fonte.
Para o comando do Banco Central, há bastante simpatia pelo nome de Sérgio Werlang, economista do Banco Itaú que já foi diretor da instituição. Ou de alguém com perfil muito semelhante. A idéia é ter um técnico com visão de mercado que, ao mesmo tempo, associe o conservadorismo exigido pelos seus pares, experiência e uma visão mais voltada para o crescimento. Verlang, em particular, foi um crítico da política de juros do BC, tendo sido voto vencido em várias ocasiões.
Antes mesmo da posse, a nova equipe vai se entender com o FMI, do qual espera um acordo com superávit fiscal igual ou pouco inferior aos atuais 2,88%. O governo pretende reunir-se com todos os governadores e com os prefeitos das maiores cidades para pedir um esforço inicial conjunto em favor dessa credibilidade. O objetivo é derrubar a taxa de câmbio para um ?patamar mais razoável?.
A queda do dólar é um objetivo muito importante para cortar seus efeitos sobre a inflação, reduzir o risco Brasil e as taxas de juros interna e externa em um ?prazo razoável? (em torno de 120 dias). É um resultado básico para negociar.
A queda de juros e do câmbio, segundo as duas fontes, é essencial para aliviar as conversações, pois, além de abrir caminho para algum crescimento já no primeiro trimestre, permite que a arrecadação aumente e que o endividamento das empresas e do Estado se retraia.

Telecomunicações

O governo Lula já anunciou que vai renegociar os reajustes de preços dos serviços públicos dentro do previsto nos contratos atuais. No caso de telecomunicações, isto acontece em 2003 para vigência em 2005. Isso não significa, porém, que as novas autoridades não possam tentar algumas trocas com o setor. Ricardo Kobayashi, do Banco Pactual, por exemplo, acredita ser perfeitamente possível negociar descontos em segmentos mais populares, principalmente nas áreas operadas pela Telemar. Isso poderia ser feito, entre outras coisas, com realocações do Fust.
Caso haja realmente queda das taxas de câmbio e juros, com relativa melhora na atividade econômica e no perfil da dívida das empresas, o governo pode colocar na mesa propostas de moderação dos reajustes. Note-se que, como moeda de troca, o provável novo governo pode acenar com a postergação dos leilões das sobras das bandas D e E e, no limite, até com facilidades para o processo de consolidação das empresas do setor.

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