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Conflito entre sócios
Dantas seria "irrelevante" em processo de venda da BrT
terça-feira, 24 de julho de 2007 , 19h48 | POR SAMUEL POSSEBON

Fonte diretamente envolvida no processo de negociação das participações societárias de fundos de pensão e Citibank na Brasil Telecom, Telemar e Telemig/Amazônia Celular garante que não há, absolutamente, nenhuma negociação em curso ou proposta de negociação para a compra das (pequenas) participações que o Opportunity tem nas empresas. "O Opportunity não tem poder de veto, não tem o controle nem terá nenhum poder de decisão sobre nenhum passo da estratégia dos controladores da companhia. As matérias que têm saído nos jornais nos últimos dias são equivocadas porque o Opportunity não é controlador", diz a fonte, referindo-se à seqüência de matérias publicadas nos jornais de grande circulação desde a última quinta, quando Telecom Italia, fundos e Citi deram publicidade ao acordo pelo qual a Telecom Italia vendeu, por US$ 515 milhões, suas ações na Solpart (controladora da Brasil Telecom Participações). A leitura da fonte é que a estratégia do Opportunity seja tentar se colocar no meio de um processo, para ver se alguém lembra de negociar com ele. "As participações do Opportunity são irrelevantes do ponto de vista estratégico e societário, tanto para o Citibank quanto para os fundos".
Mas então, por que nem o Angra Partners, nem os fundos de pensão nem o Citibank desmentem abertamente as matérias em que Dantas se coloca como parte relevante do processo? "Seria perda de tempo, porque a estratégia de Dantas é justamente criar esse debate pela imprensa", diz a fonte.

Direito a tag along

Segundo a fonte, Daniel Dantas tem, sim, um único direito: direito a tag along nas empresas Zain Participações (que está no topo da cadeia de controle da BrT e da Lexpart/Telemar) e na Futuretel (topo da cadeia de controle da Telemig/Amazônia Celular). Esse direito decorre do estatuto social das companhias, que prevê tag along aos minoritários. Mas Dantas não participa de nenhum dos acordos de acionistas.
Outro "ativo" que o Opportunity tenta vender é o chamado acordo "umbrella". Trata-se de um contrato cuja autenticidade é contestada na Justiça pelos fundos de pensão e pelo Citibank. O acordo teria sido inventado no final de 2003 para garantir ao grupo de Daniel Dantas o direito de controle sobre as empresas controladoras da Brasil Telecom e Telemig, entre outras, mesmo após a sua demissão da gestão dos recursos dos fundos de pensão. Segundo fonte que acompanha as manobras de Dantas, ele está dizendo, via imprensa, que o umbrella seria "determinante" para o futuro da estratégia do Citi e dos fundos para valorizar sua posição. "É um litígio, de fato, mas não temos a menor dúvida de que o acordo será considerado inválido, tanto na Justiça brasileira como em Nova York".
Na entrevista concedida à Folha de S. Paulo neste final de semana (por e-mail), Daniel Dantas diz que teria sido procurado por um fundo que estaria negociando em nome dos fundos de pensão e do Citibank. Fonte próxima ao Citi e aos fundos assegura: essa informação de Dantas é falsa.

Sem procuração

Dantas provavelmente se refere (ele não dá o nome, nem a reportagem pergunta) ao fundo DLJ South American Partners, um fundo dos empresários Marcelo Medeiros e Carlos Garcia, que também tem como cotista Credit Suisse Alternative Investments. Conforme informou este noticiário em abril, trata-se de um fundo criado em março e que procurou Citibank e fundos de pensão. Na ocasião, ele se dizia interessado em comprar a parte da Telecom Italia na BrT. Fonte que acompanha as negociações revela, agora, que o DLJ teria se disposto também a tentar comprar a participação de Dantas na Brasil Telecom. Fundos e Citi disseram que estão abertas a negociações futuras com o DLJ, mas ao contrário do que declarou Dantas à Folha, ninguém tem procuração para negociar em nome dos dois controladores.
Questionado sobre seus direitos como acionista das empresas na cadeia de controle de Brasil Telecom e Telemig, o Opportunity ainda não se manifestou.

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