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Conflito entre sócios
Pressão política marca fim da "Era Opportunity"
terça-feira, 26 de julho de 2005 , 19h56 | POR REDAÇÃO

A assembléia geral extraordinária da Brasil Telecom Participações S/A marcada para esta quarta, 27, em Brasília, significará o fim da "Era Opportunity" na empresa, caso se realize. Pela importância do fato, foi objeto de intensa pressão política nos últimos dias. Na última sexta, 22, foi realizada uma reunião entre o presidente do Banco do Brasil, Rossano Maranhão, o senador Heráclito Fortes (PFL/PI) e Luiz Octávio da Motta Veiga, presidente do conselho da BTP. Sérgio Rosa, presidente da Previ, foi chamado à reunião, quando teria sido aconselhado a não realizar a AGE, sob a alegação de que ela traria mais combustível à crise política. Heráclito Fortes, que conversou com o jornalista Paulo Henrique Amorim, da Rede Record, confirmou a reunião e se disse emissário do ministro Antônio Palocci ao transmitir essa preocupação a Sérgio Rosa. O Ministério da Fazenda, segundo Paulo Henrique Amorim, não comentou o fato de Fortes se colocar como um "emissário" de Palocci, nem qual seria a relação da AGE com a crise política. O Banco do Brasil confirma a reunião, mas não comenta o teor das conversas.
Heráclito Fortes manifestou-se recentemente, na tribuna do Senado, atacando o acordo de compra de participação (put) fechado pelos fundos de pensão com o Citibank. Os fundos comprarão, no final de 2007, por R$ 1 bilhão corrigidos, a parte do banco norte-americano na Brasil Telecom. A operação só se efetiva, contudo, caso Citibank e fundos não achem um comprador para a posição de ambos, pois além do put, há entre os dois um acordo de tag-along. Acordos semelhantes, mas em menor valor, existe também para a Telemar.
Fortes disse em discurso que o acordo de put prejudicava os interesses da Telecom Italia, afastando o investidor estrangeiro. A Telecom Italia comprou de Dantas sua participação na Brasil Telecom, com a condição de que a TIM e BrT GSM se fundissem, mas o acordo foi suspenso pela Justiça Brasileira e pela Justiça de Nova York.
Na imprensa, o senador Heráclito Fortes tem também questionado a atuação dos fundos de pensão, com os mesmos argumentos, aliás, colocados pelo ex-dirigente da Previ e ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.
Pizzolato acusou pela imprensa a Previ de sofrer ingerência do ex-ministro Luiz Gushiken e de ter fechado o acordo de put sem consulta ao conselho da fundação.
Segundo a Previ, todos os dados em relação ao acordo de put foram passados aos conselho, mas a negociação foi feita pela diretoria, como prevêem as regras internas da fundação.
Pizzolato, segundo reportagem da revista Veja, estaria agindo agora em defesa dos interesses do Opportunity. Ele é acusado de receber R$ 360 mil das contas das agências do empresário Marcos Valério, que prestavam serviços para a Brasil Telecom, Amazônia Celular e Telemig Celular.
Extra-oficialmente, sabe-se que o acordo de put foi o mecanismo encontrado pela Previ para fazer o Citibank retirar seu suporte a Daniel Dantas, permitindo aos fundos de pensão assumirem o comando efetivo das operações, o que vai se concretizar efetivamente a partir da AGE desta quarta, quando novos diretores e conselheiros da holding controladora direta da BrT serão indicados pelo Citi e pelos fundos. Depois do acordo de put, Citi e fundos passaram a atuar em conjunto, inclusive em ações judiciais contra Dantas. Em Nova York o Citibank pede indenização contra ao Opportunity de pelo menos US$ 300 milhões por gestão fraudulenta e quebra de dever fiduciário.

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