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Competição
TVA resgata unbundling e reclama da concentração de mercado
quinta-feira, 26 de julho de 2007 , 20h38 | POR MARIANA MAZZA, DE BRASÍLIA

O modelo de expansão da infra-estrutura de telecomunicações e de TV por assinatura no Brasil foi motivo de críticas de Leila Loria, diretora geral da TVA, durante sua apresentação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na tarde desta quinta-feira, 26. Leila Loria defendeu a implantação do unbundling, embora admita que é tarde para que o compartilhamento das redes seja uma realidade. ?Faz todo o sentido do ponto de vista econômico, mas acho muito difícil implantar (o unbundling) por causa dos legados das empresas?, argumentou a diretora. A TVA tem como acionista a Telefônica.
Esses ?legados? citados por Loria seriam os investimentos que cada um dos players teve que fazer para constituir sua rede ao longo desses anos.
A executiva recebeu o apoio dos conselheiros e especialmente do representante do Ministério Público Federal, Moacir Morais Filho. ?No meu entendimento, deveria haver sim a obrigação de compartilhamento de rede para que todas as empresas tenham a capacidade de competir?, declarou Morais Filho. Desde maio, o Cade tem convidados executivos de empresas de telecomunicações, TVs e conteúdo para avaliar o cenário de convergência tecnológica no Brasil e no mundo.
Para Leila Loria, o setor de TV por assinatura foi especialmente afetado pela inexistência do unblundling, já que as empresas acabaram fazendo investimentos grandes de formação e ampliação das redes de cabos, mesmo havendo uma malha pré-existente de posse das concessionárias de telecomunicações. ?Não há dúvida de que a duplicação da infra-estrutura que aconteceu na nossa história (das TVs pagas) foi extremamente perversa?, declarou. ?É muito mais simples para o Brasil, um país pobre, fazer apenas uma rede e compartilhar o desenvolvimento?.

Banda larga

Na opinião da executiva, esse cenário incapacitou também as empresas menores de se firmarem na prestação de serviços de banda larga. Sem verbas para fazer os investimentos necessários para a montagem de uma rede própria, os pequenos prestadores desse serviço não têm como manter-se na disputa com as grandes empresas. ?Por isso, as incorporações que estão ocorrendo são importantes para o consumidor?, alega.
O raciocínio é que as fusões e acordos entre TVs por assinatura, provedores de conteúdo, empresas de telefonia móvel, concessionárias fixas e demais players do mercado acabam trazendo mais concorrência para os clientes, na medida em que darão, supostamente, fôlego para os setores com menor poder de investimento. É um dos argumentos usados pela operadora para defender a operação de entrada da Telefônica em seu capital.
O provimento de Internet em banda larga tem sido o grande desafio no rol de serviços convergentes para as TVs pagas. De olho no quadruple play, a TVA aposta no fato de a clientela não estar preocupada com a rede de conexão, mas sim com o serviço prestado. ?A relação do consumidor é com os terminais e com os provedores de serviço?, avalia a diretoria.

Concentração

A concentração de mercado em poucos players de TV paga também é um empecilho para o fornecimento de produtos diferenciados para os clientes, na opinião da diretora da TVA. Hoje, 61% do serviço é prestado via cabo, onde a Net detém 75% da clientela, diz ela. Outros 33% do mercado estão no fornecimento via satélite, em que a Sky possui 95% da prestação do serviço. Restam, assim, 6% em MMDS, sistema em que a TVA divide a clientela com os demais players.
E dados do Ibope apresentados por Leila mostram que 97,7% da audiência pertence aos canais ligados ao grupo Globo. ?Se isso não é concentração de mercado, não sei o que é?, comentou a diretora. Para a TVA, é preciso investir na diferenciação do conteúdo ao longo dessa virada tecnológica que chegará ao Brasil com o WiMax, por exemplo.

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