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Infra-estrutura
Mercado vê com bons olhos maior presença do governo na Eletronet
quinta-feira, 26 de setembro de 2002 , 19h10 | POR LUIZ MOURA

Em tempos de crise e riscos de quebradeiras, a presença do governo em empresas começa a ser sinônimo de maior tranqüilidade, especialmente para credores. A recente mudança no comando da Eletronet, que resultou na saída da AES do comando do conselho administrativo da empresa, em benefício da sócia Lightpar (controlada pela Eletrobrás), foi bem recebida tanto pelos fornecedores quanto pelos credores. Em assembléia geral extraordinária realizada no último dia 20, foi deliberada a suspensão dos direitos da acionista AES Bandeirantes (ligada à norte-americana AES) e a designação de novos integrantes em substituição aos indicados pela empresa, pela Lightpar e Eletrobrás. Como consequência, o novo diretor-presidente da empresa passou a ser Gastão Rocha, que já era vice-presidente do conselho, no lugar de Marcelo de Oliveira, que acumulava o cargo com o de diretor financeiro. Weber Franco assumiu a direção financeira. Também saiu da gestão da Eletronet o diretor de engenharia Roberto Hudson.
As mudanças devem-se à não cumprimento do compromisso de aporte de investimentos pela AES, conforme o contrato entre os sócios. Como se sabe, a empresa deixou de fazer investimentos em telecomunicações na América Latina para se concentrar em seu negócio principal, na área de energia elétrica. A Eletronet, por sua vez, enfrenta problemas para liquidar suas dívidas, tendo atualmente de renegociar o débito com seus fornecedores, com destaque para a Furukawa e a Lucent. Também suspendeu temporariamente o pagamento de direito de passagem junto às redes de fibras ópticas instaladas ao longo das linhas de distibuição das centrais elétricas Chesf, Furnas, Eletrosul e Eletronorte.
Com a assunção da gestão da empresa por uma estatal, fontes do mercado, em um primeiro momento, ao menos vêem afastada a possibilidade de que a empresa definhe até quebrar e seja absorvida por um baixíssimo valor por outra empresa privada. O interesse do governo em manter a Eletrosul em operação é grande, uma vez que a empresa foi criada como um meio de viabilizar a instalação e funcionamento de uma moderna rede de cabos ópticos para controle e segurança das linhas de transmissão de energia elétrica. Originalmente, a idéia era lucrar com a capacidade excedente destes cabos, no atendimento a uma demanda de transmissão de dados e voz que acabou não se concretizando.

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