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Comunidades carentes vão produzir conteúdo para celulares
segunda-feira, 26 de setembro de 2005 , 18h34 | POR FERNANDO PAIVA

Índios xavantes do Mato Grosso do Sul e habitantes de um quilombo no Rio Grande do Norte agora produzem ringtones e wallpapers inspirados em suas culturas locais. A iniciativa faz parte de um desdobramento do projeto ?Cidade do Conhecimento?, da USP, que tem entre seus objetivos propiciar a inclusão e a emancipação digital aos usuários de telecentros instalados em áreas com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
A primeira experiência está sendo feita na praia de Pipa, no Rio Grande do Norte, região muito procurada por turistas estrangeiros, com enorme riqueza natural, mas que sofre com a prostituição infantil e o tráfico de drogas decorrentes de uma profunda desigualdade social. A partir de um telecentro instalado no local, foi criado o projeto ?Rede Pipa Móvel?, uma extensão do ?Rede Pipa Sabe?, vinculado à ?Cidade do Conhecimento? e que já funcionava no local com financiamento da Finep. A idéia é capacitar os jovens da praia de Pipa a produzirem conteúdo para celulares. Já foram produzidos nove wallpapers com temas locais, inclusive um desenhado por um adolescente de um quilombo da região. Também foi produzido um ringtone com o ritmo Coco Zambê, de origem negra e típico da área. ?A tecnologia serve para resgatar os valores da cultura local?, explica Gilson Schwartz, criador e diretor da Cidade do Conhecimento.
Uma segunda área escolhida é a aldeia xavante de São Pedro, no Mato Grosso do Sul. Um wallpaper e um ringtone com um canto xavante foram produzidos e levados simbolicamente ao antropólogo Claude Lévi-Strauss, em um encontro em Paris na semana passada.
Em 2006 o projeto irá se expandir para outras dez localidades, com financiamento do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI). O orçamento não foi fechado, pois as áreas estão em definição.

Modelo de negócios

Em uma primeira fase, a Cidade do Conhecimento pretende intermediar a relação entre produtores de conteúdo nas regiões escolhidas e as operadoras celulares. ?Todo dinheiro arrecadado pela Cidade do Conhecimento com a venda de conteúdo para celular será repassado para as comunidades locais?, explica Schwartz. A intenção, contudo, é que as comunidades se tornem independentes no futuro e possam levar à frente a produção sem a necessidade do auxílio da USP. Para tanto, o projeto conta com parcerias com ONGs locais e empresas privadas, dentre as quais destacam-se a CertiSign, a Compera e a consultoria Accenda.

Seminário

A Cidade do Conhecimento terá um stand no IV Tela Viva Móvel, principal evento sobre conteúdo audiovisual e multimídia para celular do Brasil, que acontecerá dias 28 e 29 de setembro, no ITM Expo, em São Paulo. Nesta edição, os destaques são os debates sobre TV e cinema no celular, mobile marketing e conteúdos adultos. Mais informações pelo site www.convergeeventos.com.br

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