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Operação Satiagraha
Shemesh, acusado de ser espião de Dantas, nega relação com o banqueiro
quarta-feira, 27 de agosto de 2008 , 20h54 | POR SAMUEL POSSEBON

O ex-militar israelense e auto-proclamado empresário do ramo de segurança Avner Shemesh esteve na CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas nesta quarta, 27. Shemesh é acusado pela Polícia Federal de ter praticado espionagem contra jornalistas e inimigos de Daniel Dantas a mando do banqueiro, e por esta razão foi ouvido pela CPI. Como tinha um habeas corpus concedido pelo Supremo, Avner não falou como testemunha e nem se comprometeu a falar a verdade.
Shemesh negou conhecer, ter sido contratado, ter qualquer contato, ou prestar serviço para Daniel Dantas ou qualquer pessoa ligada a ele. Negou também a prática de interceptação telefônica. Questionado sobre a operação de busca e apreensão em seu escritório realizada em 2005, Shemesh confirmou que houve a apreensão de quatro malas com equipamentos em sua empresa e que houve a apreensão de um dossiê em sua casa "com alguns CDs e alguns documentos", sobre os quais não poderia dar explicações por se tratar de material sob segredo de Justiça. O deputado Nelson Pelegrino (PT/BA), relator da CPI, perguntou se este dossiê tinha alguma relação com a disputa pela Brasil Telecom ou com o Daniel Dantas, e a resposta foi negativa. Nenhum deputado perguntou quem produziu o tal dossiê. Ao término da sessão, este noticiário procurou Avner Shemesh, que mesmo orientado por seus advogados a se manter em silêncio, disse que esse dossiê não foi produzido por ele, mas sim entregue a ele por alguém, "para análise" (ler entrevista a seguir). Shemesh não revelou quem teria entregado o dossiê a ele.
Este noticiário apurou que estes documentos apreendidos contêm contas telefônicas, consulta a dados cadastrais e relatórios com informações sobre hábitos, propriedades e notícias sobre Luis Roberto Demarco, ex-sócio de Daniel Dantas; sobre hábitos e detalhes familiares do jornalista Paulo Henrique Amorim; e com transcrição de diálogo entre Rubens Glasberg (presidente da Converge Comunicações, que edita este noticiário) e o advogado Marcelo Elias, entre outras informações.

Non-sense

Em relação à prática de espionagem contra jornalistas, o deputado Marcelo Itagiba (PMDB/RJ), presidente da CPI, fez mais alguns questionamentos a Shemesh. Primeiro, indagou o israelense se ele teria investigado jornalista. A resposta, obviamente, foi negativa. Em seguida Itagiba questionou especificamente se Shemesh havia investigado Paulo Henrique Amorim e sua família. Mais uma vez, resposta negativa. Na sequência, Itagiba pergunta se Avner Shemesh reconhecia, em vídeo disponível no site YouTube (cujo link foi divulgado por Paulo Henrique Amorim em seu site), o "sr. Michael Phelps" (Itagiba pronunciou Michel). Avner Shemesh respondeu negativamente. E, para completar os questionamentos, Itagiba perguntou a Shemesh se este conhecia Michael Phelps (novamente, pronunciando Michel), ao que foi respondido com nova negativa. Não ficou claro aos presentes se Itagiba estava sendo irônico ou se não se deu conta de que o tal "Michel" Phelps a que Paulo Henrique Amorim se referiu em seu site é Michael Phelps, nadador norte-americano, vencedor de oito medalhas de ouro nas últimas Olimpíadas.

Contexto

Para contextualizar o estranho diálogo entre Itagiba e Shemesh: Amorim publicou matéria, em seu site, questionando o fato de Avner Shemesh e Carlos Rodenburg (sócio e ex-cunhado de Dantas) negarem ser Rodenburg quem foi filmado ao entrar, no dia 5 de abril de 2005, no escritório de Avner Shemesh. A defesa de ambos alega que o indivíduo filmado é um motorista chamado Fernando Magnenti, que assinou uma declaração reconhecendo tal fato. Só que agora, em depoimento recente, Magnenti diz que assinou declaração pronta e entregue pelos advogados de Shemesh, e que não se reconhece no vídeo. Paulo Henrique Amorim ironiza as mudanças de versão e pergunta se não seria, então, o nadador Michael Phelps quem aparece em vídeo, e faz esta sugestão de pergunta a Marcelo Itagiba, que aparentemente seguiu o conselho.
Ao deputado Nelson Pelegrino, que leu a matéria de Paulo Henrique Amorim, Shemesh respondeu: "Eu posso responder que Carlos Rodenburg nunca esteve no meu escritório, nunca falei com ele, não o conheço. A pessoa que está na foto está identificado e está no processo que está na 5a Vara". O vídeo em questão está disponível em http://www.youtube.com/watch?v=fHZEjtgcJn0 . O side de Paulo Henrique Amorim é www.paulohenriqueamorim.com.br

Sem explicações

Os deputados questionaram Avner Shemesh sobre o fato de haver inúmeras reportagens que atribuem a ele a prestação de serviços a Daniel Dantas. Shemesh diz que todas as reportagens estão equivocadas e que ele não conhece Dantas e nem trabalhou para a Kroll ou para a Brasil Telecom. Em seguida, os parlamentares passaram a questionar Shemesh sobre coopperação entre ele e a Polícia Federal. Shemesh afirmou que, a pedido da DEA (Drug Enforcement Administration, órgão do governo norte-americano responsável pelo combate ao narcotráfico) ele teria emprestado equipamentos de escuta ambiente que foram utilizados pela Polícia Federal. "Dois meses depois a Polícia Federal apreendeu estes equipamentos e disse que eram ilegais", afirmou Shemesh. Sempre cuidadoso com as palavras, este foi o único momento em que Shemesh deu detalhes sobre alguma de suas atividades.

Entrevista
Confira as respostas dadas por Avner Shemesh a este noticiário ao sair do seu depoimento, nesta quarta, dia 27:

Teletime – Quem entregou o dossiê que foi apreendido em sua casa?

Avner – Isso eu falei na Justiça, tem explicação.

Teletime – Foi o senhor quem confeccionou?

Avner – Não fui eu, com certeza.

Teletime – Então o dossiê simplesmente apareceu na sua casa?

Avner – Não, me foi entregue para análise, essa é a verdade.

Teletime – E o senhor recebeu de quem?

Avner – Não sabe… Este não pergunta… (NR: Shemesh, que é israelense e vive há 20 anos no Brasil, se atrapalha com o português ao responder)

Teletime – Com relação ao vídeo na Internet em que Carlos Rodenburg aparece entrando em seu escritório?

Avner – Não é Carlos Rodenburg. É um motorista (NR: Fernando Magnenti) e há provas.

Teletime – Mas o motorista diz que não foi ele.

Avner – Ele não falou que não é ele. Ele só falou que não tem certeza. Ele não me desmentiu, falou que não tinha certeza porque depois de quatro anos, você olha foto e pergunta 'você tem certeza?', mais ou menos…

Teletime – Mas o senhor conhece este motorista?

Avner – Claro, ele trabalhou para mim.

Teletime – Esse motorista trabalhava para o senhor?

Avner – Claro…

Advogado – Chega…

Avner – Este motorista está na foto. O resto é mentira, pode acreditar.

Teletime – Mas a foto do motorista não bate com a filmagem que foi feita.

Avner – Pegaram uma foto agora e o que aconteceu foi há quatro anos.

Advogado – A filmagem só foi juntada depois de encerrada a instrução. A defesa sequer teve acesso…

Avner – Até hoje não temos a imagem.

Teletime – Ela está no YouTube…

Advogado – Acesso oficial ainda não tivemos.

Teletime – Então a imagem não aparece no inquérito?

Avner – Não aparece.

Teletime – Por que não aparece?

Avner – Eu sei porque. Porque através da imagem dá para falar com certeza, pela fisionomia, altura, peso, que não é Carlos Rodenburg. Qualquer idiota sabe disso. (NR: À CPI, Shemesh diz que não conhece Rodenburg pessoalmente).

Teletime – Não é Carlos Rodenburg, mas é o motorista?

Avner – Exatamente.

Teletime – O senhor tem certeza?

Avner – Absoluta, 100%.

Teletime – Obrigado.

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