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Mercado financeiro
Acordo na BrT não empolga o mercado
quarta-feira, 28 de agosto de 2002 , 19h41 | POR SÉRGIO SISTER

O anúncio oficial do acordo entre a Telecom Italia e o Opportunity a respeito da mudança de controle na Brasil Telecom (BrT) não entusiasmou os investidores nesta quarta-feira, 28. Todos os papéis da operadora e da holding registraram perdas, apesar de teoricamente o acerto entre os sócios ter sido uma solução boa para ambos os lados.
As ações ON da holding fecharam a R$ 14,35, com queda de 4,33%, e as preferenciais a R$ 18,15, com queda de 3,71%. As ações da operadora caíram menos: as ON fecharam a R$ 9,30, com queda de 2,11%, e as preferenciais a R$ 12,01, com queda de 1,23%. A própria ADR da Telecom Italia caiu 1,39% na Bolsa de Nova York.
Isso ocorreu, em boa parte, porque o acordo já havia sido antecipado pelo mercado. Vale lembrar que desde a última semana de julho, as ações preferencias da BrT Participações, por exemplo, subiram mais de 30%.
Do ponto de vista do Opportunity, tratou-se de um bom negócio, porque o fundo conseguiu ficar com o controle da empresa desembolsando apenas uma quantia simbólica (US$ 47 mil).
Caso a Telecom Italia insistisse em converter a sua parte em dinheiro, o negócio sairia por algo entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões, segundo as contas correntes entre analistas de mercado. Pelo valor atual em bolsa, seus 7,7% do capital total da BrT remanescentes (equivalente aos 19% do capital votante da Solpart que manteve) equivaleriam a R$ 508 milhões.
Do ponto de vista dos italianos, além de limpar a área para a operação da TIM, o acordo permitiu evitar a realização de um pesado prejuízo resultante da diferença entre o que a BrT lhe custou e o que ela vale hoje. Pelo valor nominal, cada lote de mil ações da empresa foi comprado, em 1998, por R$ 38,58 contra os R$ 18 de agora (perda nominal de 53,34%). Se convertidos os valores em dólares, a situação piora sensivelmente: cada lote valia na época US$ 33,16 contra os US$ 5,80 atuais, ou quase seis vezes menos.
No entanto, os termos finais do acordo não deixam claro por que motivo a Telecom Italia precisou de cinco meses para tomar esta decisão. A empresa abriu mão do controle da operadora fixa por um valor irrisório e, como não pode ter nenhum vínculo formal com a BrT, corre o risco de ser atropelada por uma mudança de estratégia do Opportunity (por exemplo, resolver antecipar as metas da BrT).

Avaliações positivas

A queda de cotações da BrT, porém, é circunstancial. As avaliações da empresa continuam positivas: o preço-alvo para BRTO4 (PN) da Fator Doria Atherino, por exemplo, é de R$ 16,58, representando um upside de 38%.
Convém observar, contudo, que o acordo com a Telecom Italia envolve também problemas para os próximos meses. Mesmo que as relações com os italianos fossem conflituosas, a avaliação de crédito da Solpart era melhor com a presença do grupo italiano em seu controle. Ainda, chegou o momento em que a BrT terá que aumentar seus investimentos, o que significa redução do caixa e crescimento da dívida.

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