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Boato sobre compra da TIM gera forte especulação com papéis das teles
sexta-feira, 31 de outubro de 2014 , 18h37 | POR SAMUEL POSSEBON

A Telefônica/Vivo, a Oi e a TIM publicaram comunicados nesta sexta, 31, negando à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a procedência qualquer uma das informações publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo em sua manchete principal, dando conta de um acordo entre Vivo, Claro e Oi para comprar a TIM. A Vivo foi a mais explícita e diz que "desconhece a existência de acordo nos termos mencionados pelo Jornal Folha de São Paulo e que não está envolvida em quaisquer discussões relacionadas a este tema, motivo pelo qual não lhe e possível tecer comentários a respeito do teor da notícia veiculada". O desmentido da Oi é referente a uma matéria do Estado de S. Paulo, e ainda que volte a confirmar a contratação do BTG e diga que o BTG, entre outros, conversou com a América Móvil, também nega qualquer acordo fechado. "A Companhia esclarece que, até esta data, não há qualquer definição ou acordo com relação a uma estrutura para a Operação, e não foram assinados quaisquer instrumentos ou propostas visando a uma Operação", diz a Oi. Já a TIM, como já fez inúmeras vezes, nega ter recebido qualquer proposta. A Claro foi a única que não se manifestou, por não ser uma companhia aberta no Brasil.

Nada disso, contudo, impediu um pesado fluxo especulativo nos papéis das três operadoras listadas em bolsa. Os papéis da Oi subiram 14,17% (OIBR3) e 12,17% (OIBR4). As ações da TIM se valorizaram 16%. E os papéis da Vivo subiram 9,6% (VIVT3) e 7,97% (VIVT4).

Sem lógica

O que chama a atenção é a falta de lógica nos valores que estão sendo colocados na mesa. O jornal Folha de S. Paulo fala em uma oferta de R$ 30 bilhões pela TIM. A empresa tem hoje praticamente esse valor de mercado no Brasil (R$ 28,5 bilhões). Ou seja,  haveria um prêmio de meros 5% pela operadora, que tem hoje 27% do market share do mercado de telefonia móvel. A GVT, que tem um pequeno pedaço do mercado de telefonia e 10% do mercado de banda larga fixa, foi vendida por R$ 21 bilhões. Tanto no caso da TIM quanto da GVT, a avaliação dos negócios fica na casa de 5,5 vezes o EBITDA. Mas há um detalhe: a TIM é de longe o principal ativo estratégico da Telecom Italia, cuja dívida é de 30 bilhões de euros.

Outro valor surpreendente no meio dos rumores não confirmados é o que a Oi conseguiria com a venda da Portugal Telecom: 7 bilhões de euros. Pelo menos é esse o valor que o jornal diz que a Altice estaria disposta a pagar, transação esta que também pode estar sendo intermediada pelo BTG. Acontece que a Portugal Telecom foi avaliada pelo Santander, quando teve seus ativos avaliados para a fusão com a Oi, em 2 bilhões de euros, fora a dívida, que acabou incorporada pela Oi. Depois disso, a Portugal Telecom viu quase 900 milhões de euros que tinha em caixa serem pulverizados no calote da Rioforte, o que diminuiu ainda mais o seu valor. Se a Oi conseguir vender os ativos da Portugal Telecom por 7 bilhões de euros, terá sem dúvidas motivos para comemorar.

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